quarta-feira, 15 de junho de 2016

Nossa Senhora dos Beija-flores



Nossa Senhora dos Beija-flores

Bogotá – Colômbia – Maio/2016.



Iconografia



A iconografia inclui tudo relacionado com a descrição das imagens, pinturas, monumentos, estátuas e retratos. O termo está relacionado com o conjunto de imagens (especialmente aquelas que são antigas) e relatório descritivo ou apresentação sobre elas.



Iconografia, portanto, pode ser definida como a disciplina que se concentra no estudo da origem e processamento de imagens e suas relações simbólicas e / ou alegóricas. É um ramo que começou a ser cultivado no século XIX em Londres (Inglaterra) e, em seguida, expandiu-se para outros países europeus.



Significativamente, a noção de iconografia está associada com o conceito de iconologia, que faz parte da semiótica e simbolismo que é responsável por analisar as denominações de artes visuais. Iconologia, têm seus especialistas, estuda como se representam valores e virtudes por meio de figuras de pessoas.



A diferença entre os dois termos é sutil: enquanto a iconografia enfatiza a descrição das imagens, a iconologia propõe um estudo maior com clasificações e comparações.



As principais áreas abrangidas pela iconografia são a mitologia de caráter cristão, mitologia clássica e representações de inspiração civil. Dentro do Cristianismo, o Concílio de Trento que se desenvolveu no século XVI promulgou o "Decreto sobre as imagens" que estipulava as características e funções de imagens católicas.



Este documento faz uma distinção entre imagens dogmáticas (aqueles que defendem dogma católico contra os protestantes através de Cristo, a Virgem Maria, os apóstolos São Pedro e São Paulo) e imagens devocionais (que são destinados para venerar o restante dos santos).



Utilidada da iconografía



Através da investigação levada a cabo na iconografia poderia ser encontrado o valor artístico de uma obra considerando sua idade; ou seja, englobando obras em um contexto sócio-cultural e histórico. Este estudo está dividido em duas partes: a diacrônica (estudando o processo de desenvolvimento do trabalho de fundo e) e outra sincrônica (que analisa os aspectos sócio-culturais que influenciaram o autor).



Uma figura chave na iconografia foi Erwin Panofsky, um historiador de arte de renome do século XIX que soube diferenciar entre a obra de arte e o documento que permitia contextualizá-lo, ou seja, o estudo de agentes que podem ter influenciado a criação.



Os temas cristãos são um dos campos mais famosos da iconografia; em 1570 havia um interesse marcado por este tipo de arte; Na verdade, naquele ano, se publicou "Sobre as pinturas e as imagens sagradas", um trabalho em forma de ensaio que descreve os aspectos fundamentais que devem ter uma pintura para pertencer a este gênero.



Mais tarde, com a descoberta das catacumbas o interesse cresceu e 1000 anos após se publicaram as primeiras hagiografias (história dos santos), onde retomaram as obras de natureza cristã e o contexto em que havia surgido.



As personificações é outro dos temas que se distinguem na iconografia, através da qual eles poderiam entender muitas questões históricas de pessoas que de alguma forma transformaram o curso da história da humanidade. A "Iconologia de Ripa" foi uma das publicações mais influentes neste domínio; Foi um manual que analisou o conceito do abstrato e que serviu como um guia para os artistas da época.



Finalmente, os emblemas foram outras da imagens estudadas. Era uma espécie de figuras simbólicas em que se usou linguagem figurada. Eles estavam mais perto dos hieróglifos de pinturas abstratas com atributos específicos. Este tipo de trabalho cobrava uma importância significativa durante a Idade de Ouro, onde os artistas foram baseados em obras emblemáticas como motivo para suas pinturas e outras obras de arte.






Maria no Evangelho de Lucas



De todos os Evangelhos, Lucas é o que mais nos fala de Maria. Primeiramente nos relatos da infância, onde ela tem um papel mais ativo do que o que vimos em Mateus; em seguida, no marco da atividade apostólica de Jesus, com quatro textos, dois dos quais coincidem com as tradições de Marcos e de Mateus (cf. Lc 4,16-30 e 8,19-21) e outros dois que pertencem à tradição própria de Lucas (cf. Lc 3,23 e 11,27-28); por último, no começo dos Atos dos Apóstolos, quando se inicia a história da Igreja (cf. At 1,14).



A primeira coisa que temos de afirmar, ao entrar na análise dos textos lucanos sobre Maria, dentro do chamado Evangelho da infância (Lc1-2), é que os textos são fundamentalmente cristológicos e mariológicos. Maria não tem uma identidade e uma vocação própria, mas dentro e a serviço da cristologia. Ela é tudo para Jesus e se transforma e se enriquece plenamente por e para Jesus. Para isto, temos alguns títulos que ilustram esta tão grandiosa discípula: Filha de Sião, Virgem e Mãe, Cheia de Graça, Morada de Deus, Cheia do Espírito, Serva e mulher de fé e Portadora da santa presença. Temos também textos bíblicos que falam da sua experiência como Mãe do Salvador: Lc1, 26-28 (o anúncio do Anjo); Lc1-39-45 (a visita a Isabel); Lc1, 46-55 (o cântico da libertação). Assim sendo, Maria surge em Lucas como a primeira mensageira do Evangelho de Deus: leva a Notícia da paz, da felicidade e da salvação, desde a Galiléia até a região de Judá. Mas Maria é a primeira mulher que acolhe o Evangelho e o comunica a seus irmãos, trazendo-lhes o gozo escatológico, quer dizer, a alegria e a segurança da salvação definitiva (cf. Lc 1,44).



Em Lucas percebemos a participação e a cooperação de Maria no plano da salvação, desde a anunciação até o início da Igreja: “todos estes unânimes, perseveravam na oração com algumas mulheres, entre as quais Maria, a mãe de Jesus, e com seus irmãos” (At 1,14).



Portanto, no Evangelho de Lucas vimos que Maria é apresentada como a Mãe do Salvador e esta em Atos exerce a função de Mãe da comunidade, pois, ela se encontra reunida com esta comunidade nascente para receber em oração a Promessa do Espírito; com esta comunidade reunida com os seus para orar e esperar de seu Filho o presente dos tempos novos. É, finalmente, irmã na comunidade e discípula do Senhor exaltada, que permanece em Jerusalém em cumprimento da Palavra do Mestre (cf. At 1,5-8) (ALVAREZ, 2005).



O Beija-flor...



Beija-flor é uma ave da família Trochilidae, de tamanho pequeno e frequentemente com plumagem colorida e brilhante. O beija-flor também é conhecido como colibri, chupa-flor, pica-flor, chupa-mel. Existem aproximadamente 325 espécies de beija-flores no mundo.



O beija-flor pertence à ordem dos apodiformes, e por isso tem algumas semelhanças com andorinhas. Os apodiformes têm asas finas e compridas, e por isso conseguem voar rapidamente.



Os beija-flores não conseguem andar ou saltar, sendo que as suas patas têm como único objetivo se agarrarem ao ninho, muros ou penhascos.



Conseguem voar em qualquer direção, e por isso são muitas vezes comparados com helicópteros. Tem um longo bico e uma língua bifurcada e comprida, que usa para tirar o néctar das flores. Quanto à alimentação, os beija-flores também costumam comer moscas e formigas. Esta ave consome aproximadamente 50% do seu peso em açúcar todos os dias, e se alimenta em média 5 a 8 vezes por hora.



A coloração da plumagem do beija-flor não é causada pela pigmentação da pena, mas sim pela iridescência na disposição das penas e da influência do nível de luz, umidade e outros fatores. Os beija-flores possuem entre 1.000 a 1.500 penas, sendo uma das aves no mundo com menos penas.



Cerca de 25 a 30% do peso do beija-flor está nos músculos peitorais, músculos responsáveis pelo voo. As asas do beija-flor batem entre 50 a 200 vezes por segundo, dependendo da direção do voo e das condições climatológicas. O ritmo cardíaco do beija-flor é extremamente elevado, com cerca de 1.200 batidas por minuto.



Apesar do seu pequeno tamanho, os beija-flores são uma das espécies de aves mais agressivas, e por vezes atacam aves muito maiores que invadem o seu território, como corvos e falcões.



Em inglês, o beija-flor é traduzido por hummingbird, sendo que humming corresponde ao som que é feito pelo bater das asas dessa ave.



Simbologia do beija-flor



O beija-flor tem valor simbólico em várias culturas. Na cultura asteca, por exemplo, as almas dos guerreiros falecidos voltavam à terra sob a forma de beija-flor.



O beija-flor, também conhecido como colibri, é o mensageiro dos deuses e simboliza o renascimento, a delicadeza e a cura.



Além de ter propriedades mágicas, o passarinho pode ser considerado também um símbolo de alegria e energia, uma vez que bate as asas com bastante determinação e força e tem um batimento cardíaco bastante acelerado.



Para os Ameríndios, o beija-flor simboliza a beleza, a harmonia, a verdade e a força.



Os índios hopis, do Arizona, por sua vez, consideram o beija-flor um herói que salva a humanidade da fome, visto ele intervem com o deus da germinação e do crescimento.



Segundo o xamanismo, o beija-flor é um símbolo do amor romântico, graça, alegria, cura, sorte e suavidade.



Luís Renato Carvalho de Oliviera, SJ

quinta-feira, 9 de junho de 2016

TRÊS MODOS DE ORAR SEGUNDO S.INÁCIO



TRÊS MODOS DE ORAR SEGUNDO S.INÁCIO




Fazem parte da 4a. Semana; provavelmente se referem às formas de oração

na vida cotidiana, pois há referência a um ambiente mais distendido.



Primeiro modo de orar (EE. 238-248)



Trata-se de um modo de engajar-nos, com toda nossa existência cotidiana, numa oração concreta e realista.

Tal modo consiste numa série de exercícios que estimulam a pessoa a progredir na virtude.

É um método de revisão rezada da vida.

                   

Repassar, um por um, os pontos de um assunto



S. Inácio propõe 4 assuntos:

1) os l0 mandamentos

2) os 7 vícios capitais (e as virtudes opostas)

3) as 3 potências da alma (memória, inteligência e vontade)

4) os 5 sentidos corporais.

        

Podem ser tomados outros assuntos: as 7 obras de misericórdia (espirituais e corporais) as 15 características da caridade (1Cor. 13). Consiste em deter-se em cada ponto por alguns instantes, demorando-se mais em alguns e passando mais rápido outros (conforme a necessidade pessoal).

        

Este modo de orar não é propriamente um esquema, método ou exercício de oração, mas um meio para dispor a pessoa para progredir e para que ela reze melhor. Ex: (ao repassar os 7 vícios capitais): o que é preciso evitar aqui? em quê falhei? ( ao repassar os sentidos corporais): como uso este sentido? como Jesus usou? como fazer para imitá-lo?



Segundo modo de orar (EE. 249-257)



Contemplar o significado de cada palavra da oração. S. Inácio propõe, em primeiro lugar, a oração do Pai-Nosso. Em outros exercícios podem ser tomadas outras orações, como a Ave-Maria, Credo, Alma-de-Cristo.



Modo de proceder no exercício:



1) Posição do corpo (aquela em que a pessoa encontra maior disposição ou maior devoção).

2) Olhos: fechados ou fitos num lugar.

3) Dizer palavra por palavra. Ex: Pai.

4) Considerar esta palavra enquanto encontrar significados, sentidos novos, comparações, gosto e consolação, em considerações relacionadas com a mesma, sem se preocupar em passar adiante.

5) Terminado o tempo, recitar toda a oração de modo costumeiro...

6) Não passar à palavra seguinte, mesmo que fique muito tempo do exercício apenas em uma ou duas palavras.

7) No colóquio final, dirigindo-se em poucas palavras à pessoa a quem fez a oração, pedir as virtudes ou graças de que sentir maior necessidade.

8) Voltando a fazer o exercício, se foram tomadas no anterior só as duas primeiras palavras, repetir de modo simples estas duas primeiras palavras e deter-se na terceira palavra.



Terceiro modo de orar (EE. 258-260)



Orar por ritmo, ou ritmar a oração segundo a respiração. S. Inácio propõe em primeiro lugar a oração do Pai-Nosso. Em outros exercícios podem ser tomadas outras orações.



Modo de proceder no exercício



1) A cada aspiração ou expiração, pronuncia-se mentalmente uma palavra da oração. Ex:: Pai

2) Enquanto é dita a palavra, saborear o significado de tal palavra ou à pessoa a quem se dirige ou à nossa condição de fragilidade ou à diferença entre a nossa condição e  a da pessoa a quem se reza.

   

Este método assemelha-se à forma oriental de oração, conhecida como “oração de Jesus”,  cujo  princípio de base é “fazer Jesus entrar no coração” (a fonte mais profunda da vida humana): consistia em repetir lenta e indefinidamente, ao ritmo da aspiração e expiração do ar, a invocação “Senhor Jesus, Filho de Deus, tende piedade de mim, pecador”.  

quarta-feira, 8 de junho de 2016

A Aplicação dos Sentidos nos EE


 
APLICAÇÃO DOS SENTIDOS

(EE. 121-126)

 

Na contemplação evangélica nos aproximamos da cena e do mistério nela relatado por meio dos sentidos da visão e da audição (“olhar as pessoas, escutar o que falam”).

A aplicação dos outros sentidos terá lugar conforme voltemos sucessivamente à cena, por meio de repetições que nos ajudem a passar do global ao particular, do exterior ao interior, da inteligencia ao coração.

       

Com efeito, por meio dos cinco sentidos, passamos do mais distante ao mais próximo:

         vemos o que ainda não conseguimos escutar (uma pessoa ao longe sem ruído de passos);

         escutamos o que ainda não conseguimos sentir com o olfato;

         sentimos o odor antes de poder tocar (uma flor, uma comida...),

         e o saborear nos faz estar mais próximo ainda que o tocar.

         Vamos passando do mais exterior ao mais íntimo.

 

O mesmo dizemos dos sentidos interiores ao contemplar as realidades espirituais.

Esta compreensão interior e intuitiva do mistério contemplado, feita na fé e graça do Espírito, se apoia no trabalho (da imaginação, dos sentidos) e na passividade (recebo o que está oculto/revelado na cena).

O mistério toma corpo.

 

Modo de proceder


 

* Preparar meu tempo de oração sobre um texto já contemplado. O “olhar” sobre as pessoas, a “escuta” de suas palavras ou o “sentir” internamente me introduziram já no interior da cena.

* Entrar na oração de maneira habitual: imaginar o lugar pelo qual desejo entrar e seguir mais uma vez o caminho que vai do mais exterior ao mais interior.

* Entro no que vejo, e o que vejo entra em mim.

* Deixo que cheguem aos meus ouvidos interiores as palavras, o silêncio. Procuro, com paz, aproximar-me cada vez mais à interioridade do mistério através dos aspectos concretos da cena.

* Sinto, toco, saboreio como se estivesse presente: os objetos, a atmosfera, a “infinita suavidade e doçura” da  divindade, segundo a pessoa que contemplo.

* Demoro-me neste conhecimento interior, às vezes sensível, mas respeitoso, do Senhor. “Tocar com o  tato, assim como abraçar e beijar os lugares onde tais pessoas pisam e se detém, procurando sempre tirar proveito disso”(EE. 125).

* Posso permanecer, gratuitamente, nesta relação profunda e simples com o mistério de Deus que se entrega a mim nesta cena. Saboreando o que me é concedido, disponível e aberto, acolhendo o DOM.

* Recolho por meio dos sentidos o que aflora desta cena.

* Termino concretamente: uma expressão pessoal ao Senhor, uma ação de graças ou uma oração da Igreja

 

         Como diz S.João da Cruz falando da contemplação em relação à meditação:

           

“A diferença que há entre ir agindo e saborear já da obra feita, e a que há entre ir recebendo e aproveitando já do recebido, ou a que há entre o trabalho de ir caminhando e o descanso e quietude que há no final; que é também como estar preparando a comida ou estar comendo-a e saboreando-a já preparada”.

                                                       ( A subida ao Monte Carmelo,L.2.c.14,no. 7)

 

Alguns pontos importantes


 

- Não se trata de buscar sensações, mas de buscar o Senhor e de tirar proveito.

- A oração contemplativa é chamada a dar frutos na vida cotidiana: estes são prova da autenticidade de minha oração.

- A imaginação espiritual recebe mas não violenta. Não se deixa levar pelo imaginário.  No coração da oração contemplativa se vive uma certa pureza e desprendimento. Estar sempre “puramente ordenado a serviço e louvor de sua divina Majestade...”

- O conhecimento interno que obtenho nela fica verificado e autenticado pelo que foi revelado pelo Senhor à Igreja e que professamos na fé.

 

 

Por quê aplicar nossos SENTIDOS a uma cena bíblica?

 

             Orar com os sentidos sobre uma cena bíblica tem seu fundamento na fé:

 

* O VERBO fez-se carne e corpo. Sua Palavra viva não pode chegar até nós fora de nossas faculdades humanas, inclusive corporais, através das quais captamos as realidades espirituais.

* A Aplicação dos sentidos é sinal de uma oração simplificada, que chegou ao coração. Se é verdadeira, nos dará paz, humildade e simplicidade; se forçada, nos cansará e se desviará.

* As repetições e a aplicação dos sentidos nos unificam pouco a pouco.

   A pessoa inteira se “recolhe” para o essencial e “colhe” um fruto maduro.

* Deus responde nela à petição da graça: “conhecimento interno do Senhor, para que mais o ame e o siga”.

 

“A práxis expontânea depende da sensibilidade e enquanto essa sensibilidade não for evangelizada, não podemos ter certeza de reagir evangelicamente na vida.Por isso S. Inácio convida o exercitante a se aplicar assídua e amorosamente, usando olhos e ouvidos, tato, gosto e olfato no exame da cena contemplada, com a esperança de que fiquem tão banhados e atingidos por ela que, quando mais tarde entrarem em contato com a vida real, possam reagir diante dela com uma sensibilidade nova, diferente, transformada.

Só assim a práxis espontânea será uma práxis evangélica”.

(J. Antonio Garcia Rodrigues).

 

Modo de proceder


 

a) Trazer pela memória, com a ajuda das revisões da oração, o que de mais significativo aconteceu em você, na contemplação dos textos.

 

b) Tomar um aspecto central (imagem, atrativo profundo, uma disposição interior, abandono, confiança...) e “saborear internamente”. Deixar que este aspecto vá penetrando todo o ser.

 

c) Tomar consciência de uma presença; aí, permanecer longamente, silenciosamente, procurando entrar em sintonia com seus sentimentos, estabelecendo a comunicação pela comunhão, o que só acontece quando duas pessoas que se amam estão presentes uma à outra. Repousar silenciosamente n’Ele, de maneira intuitiva, sem discorrer.

 

d) O importante não é se preocupar com os cinco sentidos; não é se preocupar em usá-los durante o exercício. O importante é fazer uma oração não discursiva, uma oração mais simples, de sintonia profunda, de comunhão.

 

e) Quando este clima interior de intimidade não for possível, não inquietar-se. Deixar o Espírito Santo, que vive em nós, falar e não importuná-lo com a nossa ansiedade.

 

A Oração de repetição nos EE


 
A ORAÇÃO DE REPETIÇÃO

(EE.  62; 118)

 

O objetivo deste “segundo olhar” (pausa) sobre aqueles pontos em que a oração se revelou mais suculenta, problemática ou frutífera para a pessoa é ajudá-la a fazer uma oração mais simples e personalizada e a atender ao que é mais importante para si  na ocasião concreta da sua vida.

 

Agora, já não é o orientador dos Exercícios que propõe a matéria da oração à pessoa, mas é ela que propõe a matéria a si mesma, aquela que mais significado tem para si.

 

Trata-se de uma sabedoria espiritual que diz que a atenção não pode atender a muitas coisas ao mesmo tempo, sob pena de se perder no meio delas e não obter nenhum fruto. O fruto espiritual vem da atenção que se concentra não em muita coisa mas no essencial, durante o tempo que for necessário.

            

Não creia que cada exercício se “esgota” com um tempo de oração. Volte a ele e “rumine-o” várias vezes até que você sinta que deve passar para outra perspectiva. Ao repetí-lo, você tem a vantagem de ir direto ao essencial, de simplificar a oração e conectá-la com seu núcleo que, de uma maneira mais afetiva que intelectual, lhe conduz a si mesmo e ao Senhor.

 

Em lugar de passar continuamente de um texto a outro, é muito proveitoso orar várias vezes o mesmo texto, para permitir-lhe que nos diga tudo o que nos quer dizer. Mas a oração de REPETIÇÃO, segundo S. Inácio, tem traços ainda mais definidos. Trata-se de “parar-nos” numa palavra sobre a qual já temos orado e que já nos tem dito algo (uma resposta ou um questionamento). O elemento do texto que provocou o “sabor” ou a “resistência” dá o sinal: eu me ofereço a prosseguir este trabalho em mim.

 

Modo de proceder


 

* Nas re-leituras de uma ou várias orações precedentes, ver quê versículos me impactaram ( pelo tem-

   po que nos demoramos neles, ou pelo gosto espiritual, ou pela resistência...) mesmo que se encontrem 

   em textos diferentes.

* Estes versículos bem identificados (posso também sublinhá-los), serão a matéria de minha oração.

* Iniciar o tempo de oração como de costume.

* Abordar o primeiro versículo selecionado, seu conteúdo: aprofundar nele, interiorizá-lo.

* É possível que esta palavra me diga mais, ou algo diferente, ou de outra forma, ou nada mais.

* Não se trata de repetir (ou mudar) o sentimento da oração precedente.

* Se não encontro o mesmo “gosto espiritual”,  procuro aderir-me na fé, na paz e no silêncio a esta pala-

   vra que não produz em mim consolação sensível. Se agora encontro “gosto espiritual”, fico aí.

* À luz do que senti na oração precedente, gravo na memória tudo o que aclara, confirma ou interpela.

* Converso com o Senhor a propósito de tudo isso.

* E passo a outro versículo dos que havia preparado.

          Às vezes é conveniente e acertado fazer uma segunda e até terceira repetição sobre o versículo ou versículos que despertaram em mim “gosto espiritual” ou “resistências”.

 

Por quê a oração de REPETIÇÃO?


 

- Os movimentos (alegria, sabor, secura, paz...)  sentidos ao  orar sobre um texto dado, são um sinal.

- Um versículo evocou um aspecto de minha vida, uma dimensão de meu ser, de minha vocação. Incomoda-me; me sacode.

- Repetir afina a escuta de Deus, dá tempo à Palavra para que  se pouse de verdade, se encarne, “continue seu caminho em mim”.  Simplifica  minha oração e decanta meus sentimentos.

- Depura minha relação com Deus, com meus sentimentos, com minhas idéias. Põe em destaque as constantes, as graças de Deus. Permite descobrir melhor o essencial naquilo que o Senhor me quer dizer.

 

Evitar


... tomar como ponto de partida as imagens ou recordações vagas sobre os versículos em questão: prepará-los bem, demarcá-los para voltar sobre eles de forma objetiva.

... querer “fazer que voltem” os sentimentos saboreados antes.

... começar a oração de repetição sem ter-se colocado na presença de Deus: “estou aqui por Ele e não pelo que desejaria voltar a sentir”

segunda-feira, 6 de junho de 2016

Pantocrator.III


 
Pantocrator III

Bogotá – Maio/2016.

 

“Eu sou o Alfa e o Ômega, o princípio e o fim,

diz o Senhor, que é, e que era,

e que há de vir, o Todo-Poderoso.” (Ap 1,8)

 

A inspiração para esta pintura aconteceu em uma aula muito interessante que tivemos no curso “Mistério de Deus” (Trindade) na Javeriana. Foram convidados 3 pessoas de religiões diferentes para um bate-papo: um rabino (teólogo), um mulçumano (também muito estudioso) e um líder indígena (muito simples e muito sábio). Foi durante este diálogo inter-religioso, onde várias vezes, de vários modos, surgiu o pensamento de que Jesus tem uma proposta univerrsal.

 

O Alfa e ômega, são a primeira e última letra do alfabeto grego, equivale ao nosso A e Z. A expressão “o alfa e o ômega” servia para designar a totalidade das coisas. No livro do Apocalipse o autor emprega 4 vezes a frase “Eu sou o alfa e o ômega, o primeiro e o último” (Ap 1, 8.11; 21,6; 22,13;  1, 17-18) Quer exprimir a sabedoria de Deus na história: antes de tudo e depois de tudo o que existe está em Deus. No início do livro se aplica a Deus, mas no final se aplica a Jesus Cristo (Ap 22,13). Deus nos fala em Isaías 44,6: “Eu sou o primeiro e o último, fora de mim não há Deus”.

 

Missão e diálogo inter-religioso

 

As diferentes posições ante as religiões provocam compreensões diversificadas com relação à atividade missionáriada Igreja e com relação ao diálogo inter-religioso. Se as religiões são sem mais caminhos para a salvação (posição pluralista), então a conversão deixa de ser o objetivo primeiro da missão, uma vez que o importante é que cada um, animado pelo testemunho dos outros, viva profundamente sua própria fé.

 

A posição inclusivista já não considera a missão como tarefa para impedir a condenação dos não-evangelizados (posição exclusivista). Inclusive reconhecendo a ação universal do Espírito Santo, observa que esta, na economia salvífica querida por Deus, possui uma dinâmica encarnatória que a leva a se expressar e a se objetivar. Dessa maneira a proclamação da palavra conduz essa mesma dinâmica à sua plenitude. Não significa apenas unia tematização da transcendência, mas a maior realização dessa mesma transcendência, ao pôr o homem diante de uma decisão radical. O anúncio e a aceitação explícita da fé faz crescer as possibilidades de salvação e também a responsabilidade pessoal. Além disso, a missão é atualmente considerada como tarefa dirigida não só aos indivíduos, mas sobretudo aos povos e às culturas.

 

O diálogo inter-religioso se fundamenta teologicamente seja na origem comum de todos os seres humanos criados à imagem de Deus, seja no destino comum que é a plenitude da vida em Deus, seja no único plano salvífico divino por intermédio de Jesus Cristo, seja na presença ativa do Espírito divino entre os adeptos de outras tradições religiosas (Diálogo e Anúncio). A presença do Espírito não se dá do mesmo modo na tradição bíblica e nas outras religiões, porque Jesus Cristo é a plenitude da revelação. No entanto, experiências e percepções, expressões e compreensões diversas, provenientes talvez do mesmo "acontecimento transcendental", valorizam sobremaneira o diálogo inter-religioso. Exatamente por meio dele pode-se desenvolver o próprio processo de interpretação e compreensão da ação salvífica de Deus.

 

"Uma fé que não se fez cultura é uma fé que não foi plenamente recebida, não foi inteiramente pensada, não foi fielmente vivida." Essas palavras de João Paulo II em uma carta ao cardeal secretário de Estado (20 de maio de 1982) tornam clara a importância da inculturação da fé. Constata-se que a religião é o coração de toda cultura, como instância de sentido último e força estruturante fundamental. Desse modo, a inculturação da fé não pode prescindir do encontro comas religiões, que deveria se dar sobretudo por meio do diálogo inter-religioso.

 


 


Jesus no Judaísmo

 

A maioria dos judeus vê Jesus como um transgressor da lei e um dos vários revolucionários da época que contestaram a ordem social como Menahem ben Judah e Simão bar Kokhba e que foram condenados à morte pelo Império Romano. Muitos contestam o caráter messiânico de Jesus, visto que ele não cumpriu algumas profecias para os judeus, dentre as quais a que fala que o Messias só viria após a construção do terceiro templo de Jerusalém (visto que o segundo foi destruído pelos romanos). Para os judeus, Jesus não ressuscitou, uma vez que, segundo eles, os discípulos roubaram o corpo do túmulo enquanto os soldados dormiam, e espalharam a notícia da ressurreição.

 

Outro fator de crítica é a mitificação de Jesus, vista pelos judeus como uma paganização do judaísmo, onde Jesus tornou-se um deus pagão dentro da crença judaica. Já outros judeus vêem a figura de Jesus como sendo mais um dos profetas enviados por Deus para restaurar o judaísmo, corrompido pelos pagãos. Entretanto, há um ramo do Judaísmo que reconhece em Jesus o tão esperado Messias. Esse ramo é chamado Judaísmo Messiânico. Os judeus messiânicos reconhecem a figura de Jesus como o Messias judeu, mas observam todos os preceitos da doutrina judaica. Entretanto, o governo de Israel não os reconhecem como uma seita judaica, classificando-os como cristãos.

 

Jesus no Islamismo

 

Maomé ora com Abraão, Jesus e Moisés. No Islã, Jesus toma um papel fundamental no plano de Deus para os homens. Ao elaborar a doutrina Islâmica, Mohammed incluiu aspectos do Judaísmo, Cristianismo e Zoroastrismo, visto que Meca - cidade onde ele vivia - era um ponto comercial, o que também fazia da cidade um pólo cultural. Assim, entrando em contato com diversas ideologias, Mohammed elaborou os preceitos do Islã. Um desses preceitos diz relação aos profetas, os enviados de Deus: Mohammed traçou uma linhagem profética que começava com Adão e terminava nele. A maioria dos profetas do Islã são judeus, como Moisés, Elias, João Batista e o próprio Jesus.

 

 Jesus no Islã é tido como um dos mais importantes profetas, rivalizando com Mohammed. Segundo o Islã, Jesus é muçulmano. A prova disso está nos evangelhos, quando Jesus pede que seja feita a vontade de Deus, não a dele. Uma vez renunciando a vontade humana para se submeter à vontade de Deus, a pessoa é tida como muçulmana.

 

 Dependendo do ramo Islâmico, Jesus é mais que um profeta: ele é tido como o Messias. Para o ramo Xiita Jesus não é o Messias, visto que o Messias ainda viria, como dizem os judeus. Jesus seria apenas mais um dos profetas que Deus enviou. Já para o ramo Sunita Jesus, além de profeta, é o Messias que Deus enviou, e que no fim dos tempos voltará para que ocorra o Juízo Final.

 

 Entretanto, os muçulmanos como um todo não acreditam na ligação divina entre Deus e Jesus, vendo no dogma da trindade uma criação da Igreja, inspirada em tradições pagãs.

 

 Em vários trechos do Alcorão Jesus é citado como sendo um grande mensageiro de Deus. A seita Sufi dos Dervixes chama Jesus de "Seiydna Issa", o Senhor Jesus, uma expressão não ligada à filiação divina de Jesus, mas à autoridade que vem de seus ensinamentos, transformando-o num porta-voz de Deus.

 

 A seita Islâmica dos Ahmadis prega que Jesus não morreu na cruz, sendo Judas condenado em lugar do Mestre, haja visto as condições quase que impossíveis para a condenação de Jesus, devido a uma acusação sem fundamentos dos sacerdotes, o que impossibilitaria a aplicação da pena de morte.

 

Jesus no Budismo

 

O budismo, como vimos, influenciou a ideologia de Jesus, a ponto dos ensinamentos de Jesus serem comparados aos de Siddhartha. Sob o ponto de vista budista Jesus é um ser Iluminado, um Buda, assim como ele é tido como o Cristo (ungido por Deus) pelos cristãos. Algumas correntes budistas defendem que ele estudou com monges durante sua juventude, construindo a base para os seus futuros ensinamentos, dada a similaridade da sua mensagem com a do Budismo.

 

 Outro fato que os budistas defendem é o caráter meditativo de Jesus que, assim como Buda, se retirava frequentemente para meditar. Este ato tão simples é uma característica das religiões orientais, visto que no Judaísmo geralmente as pessoas iam para a sinagoga orar a Deus. Segundo os budistas, assim como Siddhartha, numa dessas meditações Jesus atingiu a Iluminação, tornando-se um Buda, após vencer o demônio (o opositor) no deserto.

 

 Como vimos, existem representações de um Buda como sendo o "Bom Pastor". Como o Buda histórico não possui nenhuma ligação simbólica neste sentido, é certeza que os monges budistas cultuavam Jesus como um Buda. Algumas escolas budistas estudam os ensinamentos de Jesus juntamente com os de Buda, visto que a meta de ambos era remover os obstáculos da vida espiritual dos homens. Atualmente tenta-se encontrar um ponto em comum entre a espiritualidade cristã e a budista, o que está gerando uma campanha ecumênica pelo mundo.

 

Jesus no Hinduísmo

 

No Hinduísmo Jesus tem uma visão mais ampla dentro da doutrina. Várias correntes hindus aceitam a figura de Jesus como sendo um Avatar, encarnação de Deus na Terra. Similar ao que acreditam os budistas, para os hindus Jesus também foi um iniciado na filosofia Védica. Para muitos hindus Jesus é uma das encarnações de Vishnu, a segunda pessoa da Trindade hinduísta.

 

 Especialmente para o movimento Hare Krishna - devido ao seu caráter ecumênico - Jesus é uma manifestação direta de Krishna (Deus), que envia um mensageiro para cada povo, afim de que nenhuma parte do mundo fique sem a Sua mensagem. Assim, Jesus é um dos enviados de Krishna para cumprir Sua mensagem pelo mundo. Uma das provas alegadas disso é o caráter biográfico muito próximo entre Krishna e Jesus, e principalmente os ensinamentos, que muitas vezes possuem trechos idênticos.

 

 Vários aspectos e simbolismos da crença cristã, como o batismo nas águas do Jordão feito por João Batista e Jesus, segundos os hindus, é prova que tanto João quanto Jesus praticavam rituais de purificação védicos, visto que no Judaísmo este tipo de ritual não existia, sendo ele característico da religião hindu, onde até hoje vários peregrinos vão se banhar nas águas do Ganges para se purificar. Outras características, como rituais do fogo, o caráter trinitário do cristianismo e o dogma da encarnação são indícios de que o cristianismo foi influenciado pelo hinduísmo.

 

Jesus na Fé Bahá’í

 

A Fé Bahá’í é uma religião ecumênica que surgiu na Pérsia, atual Irã, em 1844. Criada pelo profeta Mírzá HusaynAli, intitulado o Bahá’u’lláh (Glória de Deus, em árabe) a Fé Bahá’í propunha ser a continuação do Islã, sendo que agora a nova religião traria uma nova mensagem: Deus é um só em todas as religiões, e Ele manda diversos mensageiros para todos os povos da Terra. Unindo os principais preceitos monoteístas do Islã com as mensagens das diversas religiões, a Fé Bahá’í tornou-se uma religião para os tempos modernos.

 

 Assim como o Islã, a Fé Bahá’í possui uma linhagem de profetas, entretanto, não mais se contendo à linhagem abraâmica do Judaísmo, Cristianismo e Islamismo, adotando outros profetas como Krishna, Buda, Zoroastro e o próprio Bahá’u’lláh. Entre esses profetas encontra-se Jesus, que na Fé Bahá’í é tido como um dos Messias enviados ao mundo por Deus.

 

 Devido ao caráter ecumênico, vários textos sagrados, inclusive os evangelhos, são lidos nas Casas de Oração, o Templo Bahá’í. A Fé Bahá’í não possui clero nem rituais, sendo os encontros nas Casas de Oração momentos para a leitura e reflexão dos textos sagrados. Para os Bahá’ís apenas a união dos homens pode acabar com os conflitos no mundo, por isso a Fé Bahá’í propõe a unidade religiosa e política do mundo, para cumprir do desejo de Jesus de "que todos sejam um" (João 17:21).

 

Jesus no Jainismo

 

O Jainismo é uma religião dharmica que surgiu por volta do Séc. X a.C. na Índia, com Mahavira, o Conquistador. O curioso dessa religião é que a história de Mahavira se confunde com a de Buda, pois ambos foram ascetas que se libertaram das paixões do mundo. Praticamente todos os ensinamentos budistas são encontrados no Jainismo. O principal ensinamento jainista é a "não-violência", onde, segundo seus adeptos, todas as formas vivas devem ser respeitadas, pois todas têm sua origem divina. Engraçado que esta mesma "não-violência" jainista foi utilizada por Mahatma Gandhi durante a Independência da Índia, o que fez com que Gandhi seja tido como um herói jainista.

 

 No Jainismo Jesus é tido como um Jina, palavra que em sânscrito significa "vencedor" ou "conquistador". Simbolicamente é o equivalente à palavra Buda e Cristo. Por sua doutrina e modo de vida, Jesus é tido como um "conquistador", visto que o próprio diz que "venceu o mundo" (João 16:33). Sob o ponto de vista hindu, budista e jainista, esta expressão significa que Jesus se libertou das paixões do mundo. Tornou-se um "Conquistador", um "Iluminado".

 


 

Jesus e o Sikhismo

 

O Sikhismo (ou Siquismo) surgiu como uma tentativa de harmonizar o Islamismo e o Hinduísmo. No entanto, enxergar o Sikhismo como uma harmonização das duas religiões não capta a sua singularidade teológica e cultural. Chamá-lo de um acordo entre o Islamismo e o Hinduísmo seria tomado como um insulto semelhante ao chamar um cristão de um judeu herético. Ele não é uma seita, nem um híbrido, mas um movimento religioso distinto.

 

 O fundador reconhecido do Sikhismo, Nanak (1469-1538), nasceu de um pai hindu e mãe muçulmana na Índia. Diz-se que Nanak recebeu uma chamada direta de Deus estabelecendo-o como um guru. Ele logo se tornou conhecido na região de Punjab do Nordeste da Índia por sua devoção, piedade e afirmação ousada: "Não há nenhum muçulmano, e não há nenhum hindu". Ele acumulou um número considerável de discípulos (sikhs). Ensinou que Deus é um só, e designou Deus como o Sat Nam ("verdadeiro nome") ou Ekankar, combinando as sílabas ek ("um"), aum (um som místico expressando Deus) e kar ("Senhor"). Este monoteísmo não inclui personalidade e nem deve ser confundido com qualquer tipo de panteísmo oriental (Deus é tudo). No entanto, Nanak manteve as doutrinas de reencarnação e carma, que são princípios notáveis das religiões orientais como o Budismo, Hinduísmo e Taoísmo. Nanak ensinou que se pode escapar do ciclo da reencarnação (samsara) apenas através da união mística com Deus através da devoção e do cântico. Nanak foi seguido por uma linha ininterrupta de nove gurus que manteve a liderança até o século 18 (1708).

 

O cristão e o sikh podem se identificar um com o outro devido ao fato de que ambas as tradições religiosas têm sofrido muita perseguição e ambas adoram somente um Deus. O cristão e o sikh, como pessoas, podem ter paz e respeito mútuo, mas não podem ser fundidos. Seus sistemas de crenças têm alguns pontos de acordo, mas, no fim das contas, têm uma visão diferente de Deus, uma visão diferente de Jesus, uma visão diferente das Escrituras e uma visão diferente da salvação.

 

 Em primeiro lugar, o conceito de Deus defendido pelo Siquismo, o de que Deus é abstrato e impessoal, contradiz diretamente o amoroso e atencioso "Abba, Pai" revelado na Bíblia (Romanos 8:15, Gálatas 4:6). Nosso Deus está intimamente envolvido com os Seus filhos, pois sabe quando nos sentamos e levantamos, e compreende os nossos próprios pensamentos (Salmo 139:2). Ele nos ama com um amor eterno e nos atrai a Si com paciência e fidelidade (Jeremias 31:3). Ele também deixa claro que não pode se conciliar com qualquer suposto deus de outra religião: "antes de mim deus nenhum se formou, e depois de mim nenhum haverá" (Isaías 43:10) e "Eu sou o SENHOR, e não há outro; além de mim não há Deus; eu te cingirei, ainda que não me conheces" (Isaías 45:5).

 

 Em segundo lugar, o Siquismo nega o status especial de Jesus Cristo. A Escritura cristã afirma que a salvação só pode vir por meio dele: "Respondeu-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim" (João 14:6). "E não há salvação em nenhum outro; porque abaixo do céu não existe nenhum outro nome, dado entre os homens, pelo qual importa que sejamos salvos" (Atos 4:12). Seja qual for o status que os sikhs deem a Cristo, não é o status que Ele merece e nem é o que a Bíblia ensina – a posição de Filho de Deus e Salvador do mundo.

 

Em terceiro lugar, ambos os sikhs e cristãos afirmam que a sua é a única Escritura inspirada. Os livros do Cristianismo e Sikhismo não podem ser ao mesmo tempo "a única palavra de Deus". Para ser mais específico, o cristão afirma que a Bíblia é a Palavra de Deus. Ela é inspirada por Deus, escrita para todos os que buscam conhecer e compreender e é "útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra" (2 Timóteo 3:16-17). A Bíblia foi dada por nosso Pai Celestial para que pudéssemos conhecer e amá-lo, para que possamos "chegar ao pleno conhecimento da verdade" (1 Timóteo 2:4) e que possamos vir a Ele para a vida eterna.

 

 Em quarto e por último, a visão sikh da salvação rejeita a expiação sacrificial de Cristo. O Siquismo ensina a doutrina do carma juntamente com devoção a Deus. O carma é uma explicação inadequada do pecado, e nenhuma quantidade de boas obras pode compensar por sequer um só pecado contra um Deus infinitamente santo. A santidade perfeita tem que odiar o mal. Já que Ele é justo, Deus não pode simplesmente perdoar o pecado sem o justo pagamento da dívida. Por ser bom, Deus não pode deixar que pessoas pecaminosas entrem na felicidade do céu sem serem transformadas. No entanto, em Cristo, o Deus-homem, temos um sacrifício de valor infinito para pagar a nossa dívida. O nosso perdão era caro além da medida, tão caro que nós, como humanos, não podíamos pagar. Mas podemos recebê-lo como um presente. Isto é o que a Bíblia quer dizer com "graça". Cristo pagou a dívida que não podíamos pagar. Ele sacrificou a Sua vida em substituição a nosso favor para que pudéssemos viver com Ele. Precisamos apenas colocar a nossa fé nEle. O Siquismo, por outro lado, não consegue resolver a consequência infinita do pecado, a depravação total do homem e nem explicar os papéis da bondade e da justiça de Deus.

 

 Em conclusão, podemos dizer que o Siquismo tenha traços históricos e teológicos tanto do Hinduísmo quanto do Islamismo, mas não pode ser devidamente entendido como uma mera combinação dos dois. Ele evoluiu a um sistema religioso distinto. Um cristão pode ter alguns pontos em comum com o Siquismo, mas, no final, o Cristianismo e o Siquismo não podem ser conciliados.

 


 

Jesus e o Taoismo

 

O Taoísmo se baseia no sistema politeísta e filosófico de crenças que assimilam os antigos elementos místicos e enigmáticos da religião popular chinesa, como: culto aos ancestrais, rituais de exorcismo, alquimia e magia.

 

A origem da filosofia do Taoísmo é atribuída aos ensinamentos do mestre chinês Erh Li ou Lao Tsé (velho mestre), um contemporâneo de Confuncio, nos anos 550 a.C., segundo o Shih-chi (Relatos dos Historiadores). Apesar de não ser uma religião mundialmente popular, seus ensinos têm influenciado muitas seitas modernas.

 

Fundação do Taoísmo

 

Como no Budismo, muitos fatos da vida de Lao Tsé são lendas. Uma delas é a questão dele já haver nascido velho. Supostamente, ele nasceu no sul da China em volta do ano 604 a.C. Ele tinha uma importante posição no governo, como superintendente judicial dos arquivos imperiais em Loyang, capital do estado de Ch'u.

 

 Por desaprovar a tirania dos regentes de seu governo, Lao Tsé veio a crer e ensinar que os homens deveriam viver uma vida simples, sem honrarias ou conhecimento. Sendo assim, ele renunciou o seu cargo e foi para casa.

 

Para evitar a curiosidade de muitos, Lao Tsé comprou um boi e uma carroça, e partiu para a fronteira da província, deixando aquela sociedade corrompida para trás. Ao chegar lá, o policial, um de seus amigos, Yin-hsi, o reconheceu e não o deixou passar. Ele advertiu Lao Tsé que deveria escrever seus ensinamentos, e só assim poderia cruzar a fronteira na região do Tibete.

 

Tao te Ching - o Livro Sagrado

 

Segundo a história, Lao Tsé, agora com 80 anos, regressou após três dias com os ensinamentos escritos em um pequeno livro com aproximadamente 5.500 palavras. Ele o denominou de "Tao te Ching", o "Caminho e seu Poder" ou o "Caminho e Princípios Morais". Logo após, ele montou em um búfalo e partiu para nunca mais voltar. Lao Tsé foi canonizado pelo imperador Han entre os anos 650 e 684 a.C. Segundo a história, ele morreu no ano 517 a.C.

 

Uma das facetas do "Tao te Ching" é ensinar ao povo como resistir às terríveis calamidades comuns na China. Ele diz que a pessoa deve sempre permanecer em um nível baixo, sem nenhuma ambição, e sem desejar sobressair sobre qualquer circunstância, a fim de sobreviver.

 

 O Taoísmo religioso (Tao Ciao) surgiu na dinastia do imperador Han, no século II. Tchuang-tseu, um discípulo de Lao Tsé e filósofo chinês, que morreu no princípio do século III, desenvolveu e proliferou os ensinamentos de seu mestre.Tchuang-tseu escreveu uma média de 33 livros sobre a filosofia de Lao-Tsé, que resultou na composição de 1.120 volumes, os quais formam o Cânon Taoísta. Ele acreditava que o "Tao-te-Ching" era a fonte da sabedoria e a solução para todos os problemas da vida.

 

Para compreender a filosofia do Taoísmo, vejamos o que Tchuang-tseu pronunciou quando sua esposa morreu:

 

"Como posso me comover com sua morte? Originalmente ela não tinha vida, nem forma, e nem força material. No limbo da existência e não-existência havia transformação, e a força material estava envolvida. A força material se transformou em forma, a forma em vida, e o nascimento em morte. Da mesma maneira que acontece com as estações do ano. Ela agora dorme na grande casa, o universo. Para eu estar chorando e pranteando, será mostrar minha ignorância do destino. Por isso eu me abstenho."

 

O Taoísmo na Atualidade

 

Na atualidade, o Taoísmo está dividido em dois ramos: o filosófico e o religioso.

 

O Taoísmo filosófico é ateísta e se diz ser panteísta. Ele trata levar o homem a uma harmonia com a natureza através do livre exercício dos instintos e imaginações.

 

O Taoísmo religioso é politeísta, idólatra e exotérico, pois consulta os mortos. Ele teve início no segundo século, quando o imperador Han edificou um templo em honra a Lao Tsé, e o próprio imperador ofereceu sacrifícios à ele. Somente a partir do século VII é que o Taoísmo veio ser aceito como religião formal.

 

O Taoísmo religioso possui escritura sagrada, sacerdócio, templos e discípulos. Também crêem numa nova era que haverá de surgir e derrotará o sistema estabelecido. Com o tempo, o Taoísmo aderiu deuses ao sistema religioso, crença do céu e do inferno, e a deificação de Lao Tsé.

 

O Taoísmo pratica o que Paulo escreveu aos Romanos: "Pois mudaram a verdade de Deus em mentira, e honraram e serviram mais a criatura do que o Criador, que é bendito eternamente. Amém." A vida de virtudes éticas pode ser atrativa, mas falha quando se trata da natureza pecaminosa do homem. Respeitar as leis ou preservar a natureza é uma mordomia que o homem desenvolve para com a terra, mas nunca deve ser uma forma de devoção religiosa, acima do Deus Criador da natureza.

 

Antes do Comunismo tomar a China, para cada 11 chineses, um era taoísta. Suas práticas animistas tem diminuido na China, mas continua grandemente nas comunidades chinesas da Ásia. Apesar de não ser uma religião oficial nos Estados Unidos, seus princípios filosóficos são encontrados na maior parte das seitas orientais no Ocidente.

 

Atualmente, a religião conta com cerca de três mil monges e 20 milhões de adeptos em todo o mundo, sendo muito popular em Hong Kong, com mais de 360 templos.

 


 

Jesus e o Xintoísmo

 

O Xintoísmo é uma religião puramente japonesa, cuja origem se encontra na sua história primitiva. É uma das mais antigas religiões do mundo. Os japoneses têm um amor feroz por sua terra e acreditam que as ilhas japonesas foram a primeira criação divina. Na verdade, o Xintoísmo ensina que nenhuma outra terra é divina, tornando o Japão uma terra singular no mundo. Não surpreendentemente, o Xintoísmo não é popular fora do Japão.

 

 As duas doutrinas xintoístas fundamentais são de que o Japão é o país dos deuses e que o seu povo é descendente dos deuses. Este conceito de ascendência divina do povo japonês, assim como a origem divina da terra, tem dado origem a uma convicção de superioridade sobre outros países e povos. Com a exceção de algumas seitas designadas de Xintoísmo, a religião não tem fundador, escritos sagrados ou conjunto oficial de crenças. A adoração ocorre em um dos inúmeros santuários do país, embora muitos japoneses tenham altares em sua casa para um ou mais de um grande número de divindades.

 

 A palavra Shinto vem da palavra chinesa Shen-tao, que significa "o caminho dos deuses". Uma das principais características do Xintoísmo é a noção de kami, o conceito de poder sagrado tanto em objetos animados quanto inanimados. Há em Shinto um poderoso sentido da presença dos deuses e espíritos da natureza. Os deuses do Xintoísmo são numerosos demais para serem agrupados em uma hierarquia, mas a deusa do sol Amaterasu é altamente reverenciada, e o seu grande templo imperial está localizado a cerca de 320 km ao sudoeste de Tóquio. Shinto ensina que o povo japonês descendeu de kami.

 

 O Xintoísmo é inteiramente incompatível com o Cristianismo bíblico. Em primeiro lugar, a ideia de que o povo japonês e suas terras são favorecidos acima de todos os outros contradiz o ensino bíblico de que os judeus são o povo escolhido de Deus: "Porque tu és povo santo ao SENHOR, teu Deus; o SENHOR, teu Deus, te escolheu, para que lhe fosses o seu povo próprio, de todos os povos que há sobre a terra" (Deuteronômio 7:6). No entanto, embora os judeus sejam o povo escolhido de Deus, eles nunca foram designados como melhores do que qualquer outro povo, e a Bíblia não ensina que eles descenderam diretamente dos deuses.

 

Em segundo lugar, a Bíblia é clara que não há muitos deuses, mas um só Deus: "Eu sou o SENHOR, e não há outro; além de mim não há Deus" (Isaías 45:5). A Bíblia também ensina que Deus não é uma força impessoal, mas um Pai de amor e carinho para aqueles que o temem (2 Coríntios 6:17-18). Somente Ele criou o universo, e somente Ele reina soberanamente. A ideia de deuses que habitam as rochas, árvores e animais combina duas falsidades diferentes: o politeísmo (a crença em muitos deuses) e o animismo (a crença de que os deuses estão presentes em objetos). Essas são mentiras do pai da mentira, Satanás, que "anda em derredor, como leão que ruge procurando alguém para devorar" (1 Pedro 5:8).

 

 Em terceiro lugar, o Xintoísmo promove orgulho e sentimentos de superioridade no povo japonês; tal elitismo é condenado nas Escrituras. Deus odeia o orgulho porque é a mesma coisa que impede as pessoas de buscá-lo com todo o seu coração (Salmo 10:4). Além disso, os ensinamentos da bondade fundamental e origem divina do povo japonês impedem a sua necessidade de um Salvador. Esta é a consequência natural de supor que a própria raça é de origem divina. A Bíblia afirma inequivocamente que "todos pecaram e carecem da glória de Deus" (Romanos 3:23), que todos nós precisamos de um Salvador, o Senhor Jesus Cristo, e que "não há salvação em nenhum outro; porque abaixo do céu não existe nenhum outro nome, dado entre os homens, pelo qual importa que sejamos salvos" (Atos 4:12).

 

 Enquanto o Shinto ensina que o kami pode ter comunhão com aqueles que se fizeram dignos através da purificação ritual, o Deus da Bíblia promete estar presente a qualquer um que clamar a Ele por perdão. Nenhuma quantidade de purificação pessoal (uma forma de salvação pelas obras) fará uma pessoa digna da presença de Deus. Só a fé no sangue derramado de Jesus Cristo na cruz pode realizar a limpeza do pecado e nos tornar aceitáveis a um Deus santo. "Aquele que não conheceu pecado, ele o fez pecado por nós; para que, nele, fôssemos feitos justiça de Deus" (2 Coríntios 5:21).

 


 

Jesus e o paganismo

 

Paganismo (do latim paganus, que significa "camponês", "rústico") é um termo geral, normalmente usado para se referir a tradições religiosas politeístas.

 

É usado principalmente em um contexto histórico, referindo-se a mitologia greco-romana, bem como as tradições politeístas da Europa e do Norte da África antes da cristianização. Num sentido mais amplo, seu significado estende-se às religiões contemporâneas, que incluem a maioria das religiões orientais e as tradições indígenas das Américas, da Ásia Central, Austrália e África, bem como às religiões étnicas não-abraâmicas em geral. Definições mais estreitas não incluem nenhuma das religiões mundiais e restringem o termo às correntes locais ou rurais que não são organizadas como religiões civis. Uma característica das tradições pagãs é a ausência de proselitismo e a presença de uma mitologia viva, que explica a prática religiosa.

 

Na perspectiva cristã, o termo foi historicamente usado para englobar todas as religiões não-abraâmicas. O termo "pagão" é uma adaptação cristã do "gentio" do judaísmo e, como tal, tem um viés abraâmico inerente, com todas as conotações pejorativas entre o monoteísmo ocidental,[4] comparáveis aos pagãos e infiéis também conhecidos como kafir (كافر) e mushrik no Islã. O historiador Peter Brown observa:

 

 

A adoção da palavra latina paganus pelos cristãos como um termo pejorativo abrangente para politeístas, representa uma vitória imprevista e, singularmente, de longa duração de um grupo religioso, com o uso de uma gíria do latim originalmente desprovida de significado religioso. A evolução ocorreu apenas no Ocidente latino e em conexão com a igreja latina. Em outra parte, "heleno" ou "gentios" (ethnikos) manteve-se a palavra "pagão"; e paganos continuou como um termo puramente secular, com toques de inferioridade.

 

Por esta razão, etnólogos evitam o termo "paganismo", por seus significados incertos e variados, referindo-se à fé tradicional ou histórica, preferindo categorias mais precisas, tais como o politeísmo, xamanismo, panteísmo ou animismo.

 

Desde o século XX, os termos "pagão" ou "paganismo" tornaram-se amplamente utilizados como uma auto-designação por adeptos do neopaganismo. Como tal, vários estudiosos modernos têm começado a aplicar o termo de três grupos distintos de crenças: politeísmo histórico (como a mitologia celta e o paganismo nórdico), religiões indígenas, folclóricas e étnicas (como a religião tradicional chinesa e as religiões tradicionais africanas) e o neopaganismo (como a wicca, o reconstrucionismo helénico e o neopaganismo germânico).

 

Cristianismo e paganismo

 

A primeira proibição efectiva dos cultos pagãos foi decretada no Império Romano em 392. Por essa altura, deu-se a última séria tentativa da aristocracia apresentar um pretendente pagão à chefia do Império.

 

Em 435 as medidas contra o paganismo foram reforçadas com a pena de morte para quem continuasse a fazer rituais pagãos, que envolviam sacrifícios de animais. As dificuldades da Igreja ainda cresceram com as invasões bárbaras do século V. A maioria dos invasores eram pagãos, mas verificou-se um ponto de viragem à volta do ano 500, quando os Francos se converteram do paganismo ao cristianismo. Com a conversão dos lombardos arianos e dos pagãos anglo-saxónicos à volta do ano 680, o cristianismo passou a dominar quase por completo o espaço cultural da Europa ocidental.

 

Entre os habitantes do campo e nos estratos mais baixos da sociedade, porém, o paganismo continuou de forma mais ou menos mitigada. Os pagãos não se tornaram cristãos do dia para a noite. Os sacerdotes cristãos passaram a cristianizar muitas festas pagãs, dando-lhes um novo sentido. A maioria dos templos Pagãos foram sendo derrubados e no seu lugar erigidas igrejas da nova fé. O que a Igreja não conseguía destruir das antigas práticas religiosas, adaptava, transformando-as em práticas cristãs. No Natal, por exemplo, mantiveram-se ao lado do culto associado ao nascimento de Jesus, as fogueiras e as festas dos caretos (no nordeste transmontano de Portugal), etc. Nessa época os Romanos festejavam Saturno e o nascimento do deus Mitra - cultuado entre os soldados romanos. Os camponeses começaram a aceitar a religião que falava de Jesus, um homem que havia sido pregado na cruz pelos romanos. Ele lembrava o deus Odin que havia se pendurado em uma árvore para adquirir a sabedoria das Runas. Com o tempo passaram a associar Maria, mãe de Jesus, à Mãe Terra.

 

Durante um longo período, houve uma fé dupla: acreditavam em Jesus, mas não abandonavam inteiramente as suas crenças e práticas pagãs. Isso foi mais claro nas regiões germânicas onde a influência do cristianismo faz-se sentir nas inscrições em que se nota uma clara mistura das duas crenças quando lemos em uma mesma pedra a invocação de protecção ao deus Thor e, ao mesmo tempo, ao Cristo.

 

Algumas orações cristãs de gosto popular, apresentam paralelismos em recitações de encantamentos pagãos. Algumas invocavam Jesus e diversos deuses Celtas a um só tempo. Não vamos pensar que tal dominação ocorreu de forma pacífica ou rápida. Na verdade, a Igreja Católica nunca conseguiu extinguir, de fato, as crenças classificadas pagãs.

 

No final do século XIV, a perseguição aos "hereges" assumiu também a forma de perseguição a cultos e práticas pagãs. Durante quase 400 anos, muitas pessoas morreram acusadas de prática de bruxaria, época conhecida como "Caça às bruxas". Muitos dos acusados eram denunciados por médicos, tentando implantar a medicina científica contra os curandeiros e "bruxos" adeptos das medicinas naturais.

 

Desde finais do século VII e até 1789 - ano da Revolução Francesa - o paganismo esteve praticamente ausente nas altas esferas intelectuais e políticas do mundo ocidental, mas se mantendo na pintura, literatura, ocultismo, sociedades secretas, alquimia e astrologia.

 


 

Jesus e o Ayyavazhi

 

O Ayyavazhi (Tamil: அய்யாவழி: "Caminho do pai") é uma religião dharmica que se originou no sul da Índia no século XIX. É considerada uma religião independente do Hinduísmo. Nos censos indianos, porém, a maioria dos seus seguidores declarar-se como hindus. Portanto, o Ayyavazhi também é considerada uma seita hindu.

 

A Flor-de-Lótus é o principal símbolo da religião indiana Ayyavazhi, fundada no século XIX. A Flor-de-Lótus está presente no Sahasrara (também chamado de chacra da coroa), o 7º e mais importante dos chacras que situa-se no alto da cabeça da pessoa e se relaciona com o padrão de energia global dessa pessoa. Esse chacra é originado na tradição hindu mas, como vários outros elemento do hinduísmo, foi adotado por outras religiões. Situado no alto da flor está o Namam (ou Thirunamam), também presente no Sahasrara.

 

O Ayyavazhi é centrado na vida e preceitos de Ayya Vaikundar; suas ideias se baseiam na filosofia dos textos sagrados Akilattirattu Ammanai e Sera Nool. Assim, Vaikundar Manu foi o avatar de Narayana. Ayyavazhi compartilha muitas ideias com o Hinduísmo em sua mitologia e práticas, mas varia consideravelmente em seus conceitos de bem e do mal e sobre o Dharma. O Ayyavazhi é classificado como uma religião dramica, devido ao seu foco central sobre o dharma.

 

Embora o adeptos do Ayyavazhi estejam espalhados por toda a Índia, a maioria deles se concentram principalmente no Sul da Índia, concentram especialmente em Tamil Nadu e Kerala. O número de praticantes é estimado entre 700.000 e 8.000.000, embora o número exato é desconhecido, uma vez que os seguidores do Ayyavazhi sejam relatados como hindus nos censos.

 

Principais crenças

 

Os seguidores do Ayyavazhi acreditam na reencarnação e no Darma Yukam, a oitava e última encarnação de Vaikundar, em que ele irá governar o mundo. Esta religião condena o sistema hindu de castas.

 

O Ayyavazhi utiliza um símbolo não-antropomórfico como um ponto de devoção e meditação. Este símbolo, o Elunetru, é identificado como uma sede de Deus, mais do que como o próprio Deus. O mesmo é válido para o Elunetru sob a sua designação alternativa, Asanam, que significa "lugar". Por detrás desta Asanam, é instalado um espelho para reflectir o adorador, para ilustrar o princípio de que "Deus está dentro de você", sugerindo uma ideia sobre Deus semelhante a da teologia hindu. O Ayyavazhi subscreve também 'Só um é Deus e assim é para sempre."

 

 Assim, os seguidores da Ayyavazhi afirmam que Brahma, Vishnu e Shiva são simplesmente aspectos diferentes do mesmo Deus. A principal diferença entre o Ayyavazhi e os demais hindus é que o primeiro reconhece um Diabo, chamado de Kroni, e que é a personificação do mal primordial, que manifesta em diversas formas, tais como Ravana e Duryodhana em diferentes idades ou yugas.

 

Kali, como o espírito de Kroni em Kali Yuga, é onipresente nesta idade. Esta é uma razão pela qual os seguidores de Ayyavazhi, tal como outros hindus, acreditamos que a actual Kali Yuga está decadente. No Ayyavazhi, Kali Yuga (um mundo mundano separado espiritualmente), dará origem a um mundo espiritual conhecido como Dharma Yukam. A caridade é um dos princípios primordiais, e Anna Dharmam (oferendas de alimentos) são feitas, pelo menos, uma vez por mês em centros Ayyavazhi de culto.

 


 

Luís Renato Carvalho de Oliveira,SJ

 

Pantocrator III

Bogota – Mayo/2016.

 

"Yo soy el Alfa y la Omega, el principio y el fin,

dice el Señor, el que es y que era,

y que ha de venir, el Todopoderoso. "(Ap 1,8)

 

La inspiración para esta pintura se llevó a cabo en una lección muy interesante que tuvimos en el curso "Misterio de Dios" (Trinidad) en la Javeriana. Hemos invitado a tres personas de diferentes religiones para charlar: un rabino (teólogo), un musulmán (también muy estudioso) y un líder indígena (muy simple y muy sabio). Fue durante este diálogo interreligioso, donde varias veces, de varias maneras, vino el pensamiento de que Jesús tiene una propuesta universal.

 

El Alfa y Omega son la primera y la última letra del alfabeto griego, es equivalente a nuestro A y Z. El término "alfa y omega" se utilizan para describir la totalidad de las cosas. En Apocalipsis el autor del libro emplea cuatro veces la frase "Yo soy el Alfa y la Omega, el primero y el último» (Ap 1: 08.11; 21,6; 22,13; 1: 17-18). Quiere expresar la sabiduría de Dios en la historia: antes de todo y después de todo lo que hay está en Dios. Al principio del libro se aplica a Dios, pero al final se aplica a Jesucristo (Ap 22:13). Dios nos dice en Isaías 44,6: "Yo soy el primero y el último, fuera de mí no hay Dios."

 

Misión y diálogo interreligioso

 

Las diferentes posiciones ante las religiones provocan comprensiones diversificadas con relación a la actividad misionera de la Iglesia y con relación al diálogo interreligioso. Si las religiones son sin más caminos para la salvación (posición pluralista), entonces la conversión deja de ser el objetivo primero de la misión, ya que lo importante es que cada uno, animado por el testimonio de los otros, viva profundamente su propia fe.

 

La posición inclusivista ya no considera la misión como tarea para impedir la condenación de los no evangelizados (posición exclusivista). Incluso reconociendo la acción universal del Espíritu Santo, observa que ésta, en la economía salvífica querida por Dios, posee una dinámica encarnatoria que la lleva a expresarse y objetivarse. De esta manera la proclamación de la palabra conduce esta misma dinámica a su plenitud. No significa sólo una tematización de la trascendencia, sino la mayor realización de la misma, al colocar al hombre ante una decisión radical. El anuncio y la aceptación explícita de la fe hace crecer las posibilidades de salvación y también la responsabilidad personal. Además, la misión se considera hoy como tarea dirigida no sólo a los individuos, sino sobre todo a los pueblos y a las culturas.

 

El diálogo interreligioso se fundamenta teológicamente sea en el origen común de todos los seres humanos creados a imagen de Dios, sea en el destino común que es la plenitud de la vida en Dios, sea en el único plan salvífico divino a través de Jesucristo, sea en la presencia activa del Espíritu divino entre los adeptos de otras tradiciones religiosas[4]. La presencia del Espíritu no se da del mismo modo en la tradición bíblica y en las otras religiones, porque Jesucristo es la plenitud de la revelación. Pero experiencias y percepciones, expresiones y comprensiones diversas, provenientes tal vez del mismo «acontecimiento trascendental», valoran sobremanera el diálogo interreligioso. Exactamente a través de él puede desarrollarse el propio proceso de interpretación y de comprensión de la acción salvífica de Dios.

 

«Una fe que no se ha hecho cultura es una fe que no ha sido plenamente recibida, no ha sido enteramente pensada, no ha sido fielmente vivida»[5]. Estas palabras de Juan Pablo II en una carta al Cardenal Secretario de Estado (20 de mayo de 1982) dejan clara la importancia de la inculturación de la fe. Se constata que la religión es el corazón de toda cultura, como instancia de sentido último y fuerza estructurante fundamental. De este modo la inculturación de la fe no puede prescindir del encuentro con las religiones, que se debería dar sobre todo a través del diálogo interreligioso[6].

 

Fonte: http://www.vatican.va/roman_curia/congregations/cfaith/cti_documents/rc_cti_1997_cristianesimo-religioni_sp.html

 

Jesús en el judaísmo

 

La mayoría de los Judios miran a Jesús como un transgresor de la ley y uno de los varios revolucionarios de la época que desafió el orden social como Menahem ben Judá y Simón Bar Kojba y que fueron condenados a muerte por el imperio romano. Muchos cuestionan el carácter mesiánico de Jesús, porque él no cumplió con algunas profecías a los Judios, entre los que se dice que el Mesías vendría sólo después de la construcción del tercer templo de Jerusalén (como el segundo fue destruido por los romanos). Para los Judios, Jesús no resucitó, ya que, según ellos, los discípulos robaron el cuerpo de la tumba mientras los soldados dormían, y se extendió la noticia de la resurrección.

 

Otro factor crítico es la mistificación de Jesús, visto por los Judios como paganizacion del judaísmo, donde Jesús se convirtió en un dios pagano dentro de la creencia judía. Sin embargo, otros Judios ver la figura de Jesús como más uno de los profetas enviados por Dios para restaurar el judaísmo, corrompido por los paganos. Sin embargo, hay una rama del judaísmo que reconoce en Jesús al Mesías esperado. Esta rama se llama judaísmo mesiánico. Judios mesiánicos reconocen la figura de Jesús como el Mesías judío, pero observan todos los preceptos de la doctrina judía. Sin embargo, el gobierno de Israel no los reconoce como una secta judía, clasificándolos como cristianos.

 

Jesús en el Islam

 

Muhammad ora con Abraham, Moisés y Jesús. En el Islam, Jesús toma un papel clave en el plan de Dios para los hombres. En la preparación de la doctrina islámica, Mahoma incluye aspectos del judaísmo, el cristianismo y el zoroastrismo, como Meca - la ciudad donde vivía - era un punto comercial, que también hizo de la ciudad un centro cultural. Por lo tanto, poniéndose en contacto con diversas ideologías, Mohammed elaboró los preceptos del Islam. Uno de estos mandamientos dice con respecto a los profetas, enviados de Dios, Mahoma dibujó un linaje profético que comenzó con Adán y lo terminó. La mayoría de los profetas del Islam son judíos, como Moisés, Elías, Juan el Bautista y Jesús mismo.

 

Jesús en el Islam es considerado como uno de los profetas más importantes, que rivaliza con Mohammed. Según el Islam, Jesús es musulmán. La prueba está en los Evangelios, cuando Jesús pide que de Dios se haga la voluntad, no de él. Desde la renuncia a la voluntad humana a someterse a la voluntad de Dios, la persona se considera un musulmán.

 

Dependiendo de la rama islámica, Jesús es más que un profeta: se le ve como el Mesías. Para la rama chiíta Jesús no es el Mesías, ya que el Mesías vendría, como dicen los Judios. Jesús sería sólo otro de los profetas que Dios envió. En cuanto a la rama Sunita Jesús, ademas de profeta, él es el Mesías que Dios envió, y que en los últimos tiempos volverá a producirse el juicio final.

 

 Sin embargo, los musulmanes en su conjunto no creen en la conexión divina entre Dios y Jesús, al ver en el dogma de la trinidad una creación de la Iglesia, inspirada en las tradiciones paganas.

 

En varios pasajes del Corán se cita a Jesús como un gran mensajero de Dios. La secta sufí de los derviches llama a Jesús "Seiydna Issa," el Señor Jesús, una expresión que no está conectada a la filiación divina de Jesús, pero la autoridad que viene de sus enseñanzas, por lo que es un portavoz de Dios.

 

La secta islámica de la ahmadis predica que Jesús no murió en la cruz, y Judas condenados en lugar del Maestro, no se ve las condiciones casi imposibles para la condena de Jesús, a causa de una acusación de los sacerdotes sin fundamento, lo que impediría la aplicación de la pena muerte.

 

Jesús en el budismo

 

El budismo, como hemos visto, tuve influjo en la ideología de Jesús, hasta el punto de las enseñanzas de Jesús se comparan con Siddhartha. Desde el punto de vista budista Jesús es un ser iluminado, un Buda, como se le ve como el Cristo (ungido por Dios) por los cristianos. Algunas cadenas budistas sostienen que el estudió con los monjes durante su juventud, la construcción de las bases para su futura enseñanza, dada la similitud de su mensaje con el budismo.

 

Otro hecho que abogan por los budistas es el carácter meditativo de Jesús que, como Buda, a menudo se retiró a meditar. Este simple hecho es una característica de las religiones orientales, como en el judaísmo en general, la gente iba a la sinagoga a rezar a Dios. De acuerdo con los budistas, como Siddhartha, en estas meditaciones Jesús alcanzó la iluminación, convirtiéndose en un Buda, después de derrotar al demonio (el oponente) en el desierto.

 

Como hemos visto, hay representaciones de Buda como el "Buen Pastor". A medida que el Buda histórico no tiene ningún vínculo simbólico en este sentido, es seguro que los monjes budistas adoraron a Jesús como un Buda. Algunas escuelas budistas estudian las enseñanzas de Jesús con el Buda, ya que el objetivo de ambos era eliminar los obstáculos de la vida espiritual de los hombres. En la actualidad tratando de encontrar un punto común entre la espiritualidad cristiana y budista, lo que está generando una campaña ecuménica en todo el mundo.

 

Jesús en el hinduismo

 

En el hinduismo Jesús tiene una visión más amplia en la doctrina. Varias cadenas hindúes aceptan la figura de Jesús como un Avatar, la encarnación de Dios en la tierra. Similar a lo que creian los budistas, para los hindúes, Jesús también fue un iniciado en la filosofía védica. Para muchos hindúes Jesús es una de las encarnaciones de Vishnu, la segunda persona de la Trinidad hindú.

 

Especialmente para el movimiento Hare Krishna - debido a su carácter ecuménico - Jesús es una manifestación directa de Krishna (Dios), que envía un mensajero para cada nación, de modo que ninguna parte del mundo quede sin su mensaje. Por lo tanto, Jesús es una de las Krishna enviado a cumplir su mensaje por todo el mundo. Una de las supuestas pruebas de esto es el biográfica muy cerca entre Krishna y Jesús, y sobre todo las enseñanzas, que a menudo tienen secciones idénticas.

 

Diversos aspectos y simbolismo de la fe cristiana, como el bautismo en las aguas del Jordán por Juan el Bautista y Jesús, segundo los hindúes, es la prueba de que tanto Juan como Jesús practicaban rituales de purificación védica, como en el judaísmo no existe este tipo de ritual, siendo característico de la religión hindú, donde incluso hoy en día muchos peregrinos se bañan en el agua del Ganges para purificarse. Otras características, como los rituales de fuego, el carácter trinitario de la cristiandad y el dogma de la Encarnación son evidencia de que el cristianismo se vio influenciado por el hinduismo.

 

Jesús en la Fe Bahá'í

 

La Fe Bahá'í es una religión ecuménica que surgió en Persia, hoy Irán, en 1844. Creado por el profeta Mirza HusaynAli Bahá'u'lláh titulado (Gloria de Dios en árabe) la Fe Bahá'í propone ser continuado del Islam, y ahora la nueva religión traería un nuevo mensaje: Dios es uno en todas las religiones, y que tiene varios mensajeros a todos los pueblos de la Tierra. Que une los principales preceptos monoteístas del Islam con mensajes de diferentes religiones, la Fe Bahá'í se convirtió en una religión para los tiempos modernos.

 

Al igual que el Islam, la Fe Bahá'í tiene una línea de profetas, sin embargo, ya no contiene el linaje de Abraham del judaísmo, cristianismo y Islam, tiene la adopción de otros profetas como Krishna, Buda, Zoroastro y el propio Bahá'u'lláh. Entre estos profetas esta Jesús, que en la Fe Bahá'í es considerado uno de los Mesías enviado por Dios para el mundo.

 

Debido al carácter ecuménico, varios textos sagrados, incluyendo los Evangelios se leen en la Casa de Oración, el Templo Bahai. La Fe Bahá'í no tiene sacerdotes o rituales, y las reuniones en las casas de los tiempos de oración por la lectura y la reflexión de los textos sagrados. Para los bahá'ís solamente la unión de los hombres pueden poner fin a los conflictos en el mundo, por lo que la Fe Bahá'í propone la unidad religiosa y política en el mundo, para satisfacer el deseo de Jesús "que todos sean uno" (Juan 17 : 21).

 

Jesús en el jainismo

 

El jainismo es una religión dhármica que surgió alrededor del siglo X aC en la India con Mahavira, el Conquistador. La curiosidad de esta religión es que la historia de Mahavira se entrelaza con el Buda, porque ambos eran ascetas que se han liberado de las pasiones del mundo. Prácticamente todas las enseñanzas budistas se encuentran en el jainismo. La enseñanza principal Jaina es la "no violencia", donde, según sus partidarios, se deben respetar todas las formas de vida, porque todos tienen un origen divino. Es curioso que este mismo "no violencia" Jaina fue utilizado por Mahatma Gandhi durante la Independencia de la India, lo que hizo Gandhi ser visto como un héroe Jaina.

 

En el jainismo Jesús se toma como uno Jina, una palabra que en sánscrito significa "ganador" o "conquistador". Simbólicamente es el equivalente de la palabra Buda y Cristo. Por su enseñanza y su forma de vida, Jesús es visto como un "conquistador", como él mismo dice "vencido al mundo" (Juan 16:33). Bajo el punto de vista budista y Jain hindú, esta expresión significa que Jesús liberó de las pasiones del mundo. Se convirtió en un "Conquistador", una "brillante".

 


 

Jesús y el sijismo

 

Sijismo (o el sijismo) ha surgido como un intento de armonizar el Islam y el hinduismo. Sin embargo, el sijismo como una armonización de las dos religiones es no captar su singularidad teológica y cultural. Llámelo un acuerdo entre el Islam y el hinduismo se tomaría como un insulto similar a llamar a un cristiano un judio herético. No es una secta, no es un híbrido, sino un movimiento religioso distinto.

 

El fundador del sijismo reconocido, Nanak (1469-1538), nació de un padre hindú y madre musulmana en la India. Se dice que Nanak recibió una llamada directa de Dios estableciéndolo como un gurú. Pronto se hizo conocido en la región de Punjab, en el noreste de la India por su devoción, la piedad y la declaración contundente: "No hay musulmanes, y no hay hindú". Acumuló un número considerable de discípulos (sikhs). El enseñó que Dios es uno, y Dios designó como el Sat Nam ( "nombre real") o la combinación de las sílabas Ekankar ek ( "uno"), aum (un sonido místico expresar a Dios) y kar ( "Señor"). Este monoteísmo no incluye personalidad y no debe confundirse con cualquier tipo de panteísmo oriental (Dios es todo). Sin embargo, Nanak mantuvo la doctrina de la reencarnación y el karma, que son principios notables de las religiones orientales como el budismo, el hinduismo y el taoísmo. Nanak enseñó que se puede escapar del ciclo de la reencarnación (samsara) sólo a través de la unión mística con Dios a través de la devoción y de la canción. Nanak fue seguido por una línea ininterrumpida de nueve gurús que mantuvo el liderato hasta el siglo 18 (1708).

 

El cristiano y el sij pueden identificar entre sí debido al hecho de que ambas tradiciones religiosas han sufrido mucha persecución y ambos adoptan el culto a un solo Dios. El cristiano y el sij, como personas, pueden tener la paz y el respeto mutuo, pero no se pueden combinar. Sus sistemas de creencias tienen algunos puntos de acuerdo, pero al final, tienen una visión diferente de Dios, una visión diferente de Jesús, una visión diferente de la Escritura y una visión diferente de la salvación.

 

En primer lugar, el concepto de Dios defendido por el sijismo, el Dios es abstracto e impersonal, contradice directamente el amor y cuidado "Abba, Padre" revelado en la Biblia (Romanos 8:15, Gálatas 4: 6). Nuestro Dios está íntimamente involucrado con sus hijos, él sabe cuando nos sentamos y ponerse de pie, y entende nuestros propios pensamientos (Salmo 139: 2). Él nos ama con un amor eterno y nos atrae hacia sí con paciencia y fidelidad (Jeremías 31: 3). También deja claro que no se puede conciliar con cualquier supuesto dios de otra religión: "Antes de mí no fue formado dios, y después de mí será ninguno" (Isaías 43:10) y "Yo soy el Señor y no hay otro ; fuera de mí no hay Dios, te ciño, aunque usted no me conoce "(Isaías 45: 5).

 

En segundo lugar, el sijismo niega el estatus especial de Jesucristo. La escritura Cristiana afirma que la salvación sólo puede venir a través de él, "Jesús le dijo: Yo soy el camino, la verdad y la vida; nadie viene al Padre, sino por mí" (Juan 14: 6). "Ni hay salvación en ningún otro: porque no hay bajo el cielo otro nombre dado a los hombres, en que podamos ser salvos" (Hechos 4:12). Sea cual sea la situación que consideren sijs Cristo, no es el estado que se merece y no es lo que la Biblia enseña – la posición de Hijo de Dios y Salvador del mundo.

 

En tercer lugar, ambos sijs y cristianos afirman que la suya es la única Escritura inspirada. Los libros del cristianismo y el sijismo no pueden ser al mismo tiempo "la palabra de Dios." Para ser más específicos, el cristiano afirma que la Biblia es la Palabra de Dios. Está inspirado por Dios, escrita para todos los que buscan saber y entender y que es "útil para enseñar, para reprender, para corregir, para instruir en justicia, que el hombre de Dios sea perfecto, enteramente preparado para toda buena obra "(2 Timoteo 3: 16-17). La Biblia fue dada por nuestro Padre Celestial para que podamos conocerlo y amarlo, para que podamos "llegar al conocimiento de la verdad" (1 Timoteo 2: 4), y podemos llegar a él para vida eterna.

 

En cuarto y último lugar, la vista sij de la salvación rechaza el sacrificio expiatorio de Cristo. El sijismo enseña la doctrina del karma, junto con la devoción a Dios. Karma es una explicación inadecuada del pecado, y ninguna cantidad de buenas obras puede compensar un solo pecado contra un Dios infinitamente santo. La santidad perfecta debe aborrecer el mal. Puesto que Él es justo, Dios no puede simplemente perdona el pecado sin el pago razonable de la deuda. Por ser bueno, Dios no puede dejar que la gente pecadora entrar en la dicha del cielo sin ser transformado. Sin embargo, en Cristo, el Dios-hombre, tenemos una cantidad infinita de sacrificio para pagar nuestra deuda. Nuestro perdón era caro allá de la medida, por lo caro que nosotros, como seres humanos, no podíamos permitir. Pero podemos recibirlo como un regalo. Esto es lo que significa la Biblia por "gracia". Cristo pagó la deuda que no podíamos pagar. Se sacrificó su vida en el lugar para que pudiéramos vivir con ella. Sólo tenemos que poner nuestra fe en él. El sijismo, por el contrario, no puede resolver la consecuencia del pecado infinito, la depravación total del hombre, ni explicar las funciones de la bondad y la justicia de Dios.

 

En conclusión, podemos decir que el sijismo tiene rasgos históricos y teológicos tanto de el hinduismo como el Islam, pero no puede ser entendida correctamente como una mera combinación de los dos. Se desarrolló un sistema religioso distinto. Un cristiano puede tener algunos puntos en común con el sijismo, pero al final, el cristianismo y el sijismo no puede ser reconciliados.

 


 

Luís Renato Carvalho de Oliveira,SJ