segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Aureola - Halo


Aureola


Halo (do grego em grego clássico: ἅλως; transl.: halōs), conhecido também como nimbo, auréola ou glória, é um anel de luz que circunda uma pessoa na arte. Eles tem sido utilizado na iconografia de muitas religiões para indicar pessoas sagradas ou santas e, uma honraria estendida, períodos diversos, também a monarcas ou heróis. Na arte sacra da Grécia Antiga, Roma Antiga, hinduísmo, budismo, islamismo e cristianismo, entre outras religiões, pessoas sagradas podem ser representadas com um halo na forma de um brilho circular ou, na arte asiática, na forma de labaredas, ou ainda à volta do corpo todo, este último tipo geralmente chamado de mandorla. Os halos aparecem em praticamente todas as cores, mas como representam luz ou chamas, aparecem muito mais frequentemente em dourado, amarelo, branco ou, no caso das chamas, vermelho.




Grécia Antiga

Homero descreve uma luz sobrenatural à volta da cabeça dos heróis em batalha. Representações de Perseu no ato de assassinar Medusa, com linhas irradiando de sua cabeça, aparece num fundo branco na decoração de uma caixa de toalete exibida no Louvre e num vaso de figuras vermelhas, ligeiramente posterior, no estilo de Polignoto (ca. 450-30), no Metropolitan Museum of Art. Em utensílios pintados do sul da Itália, linhas radiantes ou halos simples aparecem nas representações de diversas figuras míticas: Lissa, uma personificação da loucura; uma esfinge; um demônio marítimo; e Tétis, a nereida que era mãe de Aquiles. t Indo mais longe, a literatura religiosa suméria fala frequentemente de um "melan" (emprestado pelo acadiano como melammu), um "fulgor visível, brilhante, que é exalado pelos deuses, heróis, às vezes pelos reis e também pelos templos mais sagrados e emblemas e símbolos dos deuses".

Arte asiática





O halo e a auréola sempre foram amplamente utilizados na arte indiana, particularmente na iconografia budista, na qual sua presença remonta pelo ao século I — o cuchano "Relicário Bimaram", no Museu Britânico, é de 640 (ou, entre 30 a.C. e 200 d.C.). Os monarcas do Império Cuchano foram talvez os primeiros a se representarem com halos em suas moedas e o nimbo (em latim: nimbus) na arte pode ter sua origem na Ásia central, de onde se espalhou tanto para o ocidente quanto para o oriente. Na arte budista chinesa e japonesa, o halo também tem sido utilizado desde os períodos mais remotos nas representações da imagem do Buda Amitaba e outras. O budismo tibetano usa halos e auréolas de muitos tipos, inspirados nas tradições chinesa e indiana, principalmente nas estátuas e nas pinturas thangka para representar santos, como Milarepa e Padmasambhava, e divindades budistas. Halos de diferentes cores revelam significados específicos: laranja para monges, verde para Buda e outros seres mais elevados (incluindo o imperador Qianlong) e é comum que as imagens tenham tanto o halo na cabeça e outro, circular, para o corpo, os dois geralmente se cruzando perto do pescoço ou da cabeça. Finas linhas de ouro geralmente irradiam, para dentro ou para fora, da borda do halo e, às vezes, um novo halo é formado por estas irradiações.

Na arte asiática, o nimbo é geralmente imaginado como consistindo não apenas de luz, mas também de chamas. Este tipo parece ter aparecido pela primeira vez em bronzes chineses cujos exemplares mais antigos são de 450. A representação destas chamas pode ser bastante formalizada, como nas pequenas chamas regulares da auréola anelar que circunda muitos bronzes chola e outras esculturas clássicas hindus de divindades, ou muito proeminentes, na forma de chamas mais realistas e, às vezes, acompanhadas de fumaça, como as que aparecem subindo atrás de representações budistas tibetanas do "aspecto raivoso" das divindades e as miniaturas persas do período clássico. Este tipo é muito raramente encontrado — e geralmente em escala bem menor — na arte cristã medieval. Às vezes uma linha fina de chamas se ergue das bordas de um halo circular nos exemplares budistas, geralmente nas pinturas cavernas Dunhuang. Nas pinturas tibetanas, as chamas são geralmente representadas sopradas pelo vento, na maior parte das vezes da esquerda para a direita.

Halos são encontrados também na arte islâmica de vários lugares e períodos, especialmente nas miniaturas persas e na arte mogol e otomana, influenciadas pelos persas. Halos em chamas derivados da arte budista circundam anjos e halos similares aparecem geralmente nas representações de Maomé e outras figuras humanas sagradas. Do início do século XVII em diante, halos circulares mais simples aparecem nos retratos dos imperadores mogóis e, depois, dos monarcas de Rajput e Siquim[6]; apesar de muitos precedentes locais mais próximos, historiadores da arte acreditam que os mogóis se inspiraram no motivo da arte religiosa europeia e o utilizaram para expressar a ideia persa do carisma de direito divino, muito mais antiga.





Arte romana

Na arte romana, o halo representa uma aura ou brilho de santidade que era convencionalmente desenhado circundado a cabeça. Ele apareceu pela primeira vez na Grécia e Roma provavelmente relacionado ao "hvarena" — "glória" ou "lustre" divino — zoroástrico que marcava os reis persas e podem ter sido importados juntamente com o mitraísmo. Embora a grande maioria das pinturas romanas tenha desaparecido (com exceção de alguns afrescos), algumas figuras com halo aparecem em mosaicos romanos. Em um pavimento em mosaico romano do século II, preservado em Bardo, a figura de Posidão com seu halo aparecem em sua carruagem puxada por cavalos-marinhos. Nesta imagem, os tritões e nereidas que o acompanham não receberam a mesma honraria.

Num outro pavimento do final do século II, de Tisdro, El Djem, Apolo Hélio é identificado por seu fulgurante halo. Outro mosaico de Apolo com um halo, de Hadrumeto, está em exibição num museu em Sousse, na Tunísia. As convenções desta representação, a cabeça inclinada, os lábios abertos, olhos grandes, cabelos cacheados caindo pelo pescoço, foram desenvolvidas no século III a.C. para retratar Alexandre, o Grande. Algum tempo depois que este mosaico foi realizado, o imperador começou a ser representado com um halo, inicialmente somente depois de mortos — e portanto deificados — e, depois, os vivos, um hábito que foi depois abandonado quando o cristianismo tornou-se a religião oficial de Roma. Nesta época, Cristo só aparecia com um halo quando estava no seu trono, como nas imagens de Cristo em Majestade.

Arte cristã




O halo foi incorporado à arte paleocristã em algum momento do século IV. Nas primeiras imagens icônicas de Cristo, apenas ele era identificado com um (juntamente com seu símbolo, o Cordeiro de Deus). Inicialmente, o halo era considerado por muitos como uma representação do Logos de Cristo, sua natureza divina, e, portanto, nas primeiras representações (antes de 500) de Cristo, as cenas anteriores ao seu Batismo por João Batista, ele tende a aparecer sem o halo, sendo um tema de debate teológico se seu Logos já estava consigo desde o nascimento (a visão ortodoxa) ou se foi adquirido apenas no Batismo (a visão nestoriana). Nesta época, Jesus aparece também como uma criança ou um jovem nas cenas de batismo, embora estas sejam possivelmente representações hieráticas e não relacionadas à idade.

Halo cruciforme

Um halo cruciforme, ou seja, o que apresenta uma cruz circunscrita ou se estendendo para fora da borda, é utilizado para representar uma das pessoas da Trindade, especialmente Jesus na arte medieval. Nas imagens bizantinas ou ortodoxas, dentro de cada um dos três braços visíveis da cruz no halo de Cristo está uma letra grega, "Ο", "Ω" e "Ν", que formam a palavra "ὁ ὢν" ("ho ōn"), que significa literalmente "O Que Existe", uma indicação da divindade de Jesus. Pelo menos imagens ortodoxas posteriores, cada um dos braços desta cruz é composto por três linhas, que simbolizam os dogmas da Trindade, a unicidade de Deus e as duas naturezas de Cristo. Nos mosaicos em Santa Maria Maggiore (432–40), o jovem Cristo traz uma cruz de quatro braços ou no alto da cabeça, ainda dentro do nimbo, ou acima deste, mas esta é uma representação rara. Nestes mesmos mosaicos, os anjos que o acompanham tem halos (assim como o rei Herodes, uma continuação da tradição imperial), mas não Maria e nem José. Ocasionalmente outras figuras também aparecem com halos cruciformes, como as sete pombas que representam os sete dons do Espírito Santo na "Árvore de Jessé" do Codex Vyssegradensis (séc. XI), uma imagem na qual Jessé e Isaías também tem halos, assim como os ancestrais de Cristo em outras iluminuras.

Halo triangular

Posteriormente, o halo triangular passou a ser dado para Deus Pai, uma representação da Trindade. Os relevos do século XV de Jacopo della Quercia no portal de San Petronio, em Bolonha, são excelentes exemplos antigos deste tipo de halo, que é muito raro na França, mas bastante comum na Itália e na Grécia. Quando Deus Pai aparece apenas na forma de uma mão emergindo das nuvens, ela ocasionalmente recebe também um halo.

Halo redondo

Halos redondos simples são tipicamente utilizados para os santos, a Virgem Maria, os profetas do Antigo Testamento, anjos, os símbolos dos quatro Evangelistas e algumas outras figuras. Imperadores e imperatrizes bizantinos geralmente aparecem com um halo em composições juntamente com santos ou Cristo, mas os seus são apenas delineados. Este costume foi depois copiado pelos otonianos e pelos imperadores russos. Figuras do Antigo Testamento foram perdendo seus halos no ocidente conforme avançava a Idade Média. Podem ser em formato de disco, flutuando sobre a cabeça; simples, como um círculo cheio à volta da cabeça; ou de anel, transparente com apenas uma linha demarcando a borda do halo.

Halo radiante

Pessoas beatificadas, ainda não canonizadas como santos, ocasionalmente foram representadas na arte italiana medieval com raios lineares irradiando da cabeça, mas sem a borda circular do nimbo definida; posteriormente, esta tornou-se uma forma menos incômoda de halo que podia ser utilizada para todas as figuras, uma distinção observada, por exemplo, na obra "Cristo Glorificado na Corte Celeste" (1423-4), de Fra Angelico, na National Gallery de Londres, na qual apenas os beatificados pintados perto das beiradas tem halos radiantes.

Halo quadrado

Halos quadrados foram, por vezes, utilizados por pessoas ainda vivas em retratos de doador entre 500 e 1100 na Itália. O papa Gregório Magno se fez representar utilizando um segundo o autor, do século IX, de sua hagiografia (Vita), João, o Diácono de Roma{{efn|Segundo João, "circa verticem tabulae similitudinem, quod viventis insigne est, preferens, non-coronam" ("usando à volta da cabeça a imagem de um quadrado, que é o sinal de uma pessoa viva e não uma coroa"). O diácono de Roma não sabia que da tradição oriental de representar o imperador com um halo. Exemplos sobreviventes são raros e parecem ter rareado ainda mais com o tempo. O bispo Ecclesius claramente aparece com um em fotos antigas dos mosaicos na Basílica de São Vital, em Ravena, mas aparentemente eles foram removidos em restaurações mais recentes. Outros exemplos são o papa Adriano I num mural que antigamente ficava em Santa Prassede (Roma), as figuras dos doadores na igreja do Mosteiro de Santa Catarina, uma figura que pode ser Moisés na Sinagoga de Dura Europos (onde nenhuma figura tem o halo redondo).






Outros

Personificações das Virtudes às vezes recebiam halos hexagonais, como no caso dos afrescos da oficina de Giotto na basílica inferior em Assis. Halos em formato de concha, por vezes formado apenas por barras radiantes, aparecem em manuscritos da carolíngia "Escola Ada", como nos "Evangelhos de Ada".

Quando a imagem radiante incorpora o corpo todo, o halo é chamado de "auréola" ou "glória". O brilho irradia à toda volta do corpo, geralmente de Cristo ou Maria, ocasionalmente de santos (especialmente aqueles que foram vistos brilhando). Este tipo de auréola é também chamada de "mandorla" ("formato de amêndoa"), especialmente quando aparece na imagem de "Cristo em Majestade", que pode também ter um halo sobre a cabeça. Em representações da transfiguração, geralmente se encontra um formato mais complicado, especialmente na tradição ortodoxa, como no famoso ícone do século XV abrigado na Galeria Tretyakov em Moscou.

Quando ouro é utilizado como fundo em iluminuras, mosaicos e pinturas, o halo é geralmente formado por linhas de texto folheadas e pode estar decorado com padrões repetitivos no interior da borda exterior, o que o torna bem menos proeminente. A folha de ouro dentro do halo pode também ser também polida em padrões circulares para produzir o efeito de luz irradiando a partir da cabeça da figura. Nos primeiros anos de seu uso, o halo cristão podia ser de várias cores (com o preto reservado para Judas, Satã e outras figuras malignas) ou multicolorido; posteriormente, o ouro tornou-se o padrão e, se o fundo inteiro do halo não for dourado, o próprio halo geralmente será.


Declínio do halo

Com o crescente realismo na pintura, o halo passou a ser um problema para os artistas. Quando eles ainda utilizavam as antigas fórmulas composicionais, adequadas para acomodar os halos, os problemas eram gerenciáveis, mas conforme os artistas ocidentais buscavam mais flexibilidade na composição, este deixou de ser caso. Nas esculturas auto-sustentadas, o halo já era mostrado como um disco plano acima ou atrás da cabeça. Quando a perspectiva passou a ser considerada essencial, os pintores também mudaram o halo, de uma aura rodeando a cabeça e sempre representada como se vista de frente, para um disco plano dourado ou um anel em perspectiva flutuando sobre a cabeça dos santos ou verticalmente atrás deles, muitas vezes transparente. Este modelo pode ser visto primeiro em Giotto, que ainda representa Cristo com o halo cruciforme, que começou a desaparecer nesta época. No norte da Europa, o halo radiante, feito de raios como os do sol, entrou na moda na pintura francesa por volta do final do século XIV.

No início do século XV, Jan van Eyck e Robert Campin abandonaram completamente o uso de halos, embora alguns artistas do flamengo primitivo ainda os utilizassem. Na Itália, na mesma época, Pisanello os utilizava se eles não atrapalhassem os enormes chapéus que ele gostava de pintar. De maneira geral, os halos duraram mais tempo na Itália, embora geralmente já reduzidos a uma fina linha dourada representando a margem exterior do nimbo, comum, por exemplo, na obra de Giovanni Bellini. Cristo começou a ser representado com um halo redondo simples.

Fra Angelico, um monge, era conservador no assunto dos halos e algumas de suas pinturas demonstram claramente os problemas provocados por eles, como no caso de suas composições com mais personagens, nas quais os halos aparecem como discos sólidos de ouro no mesmo plano da superfície da pintura, o que dificulta o trabalho de evitar que eles obscurecessem outras. Ao mesmo tempo, os halos eram úteis para distinguir as figuras principais da massa de uma multidão. A "Lamentação de Cristo", de Giotto, na Capela Scrovegni, tem oito figuras com halos e dez sem, o que informa ao espectador que estas não devem ser pessoas identificáveis e sim parte da "multidão". Da mesma forma, um "Batismo de Cristo", de Perugino, em Viena, não coloca halos nem em Cristo e nem em João Batista, mas um santo no fundo, geralmente ausente nesta cena, tem um halo simples para denotar sua importância (ou sua identidade).

No Alto Renascimento, até mesmo os pintores italianos passaram a dispensar os halos, mas na reação da Igreja, que culminou nos decretos sobre as imagens do Concílio de Trento (1563), seu uso passou a ser considerado obrigatório por escritores clérigos que versavam sobre a arte religiosa, como Molanus e São Carlos Borromeo. As figuras passaram a ser colocadas onde a luz natural ajudaria a destacar sua cabeça na composição ou uma mais discreta tremulação quase-naturalística ou luz brilhante era pintada à volta da cabeça de Cristo e de outras figuras (uma técnica utilizada por Ticiano, que pode tê-la inventado). As águas-fortes de Rembrandt, por exemplo, mostram uma variedade de soluções, inclusive casos onde halo nenhum foi representado. O halo circular foi raramento utilizado para representar figuras da mitologia clássica no Renascimento, embora ele de fato apareça em algumas obras, na forma clássica radiante, na arte maneirista e barroca.

Já no século XIX, os halos se tornaram muito raros na arte mainstream ocidental, embora seja ainda bastante comum em ícones e em imagens populares, geralmente com um efeito medievalizante. Quando John Millais pintou seu "Santo Estêvão" (1895), realista em tudo, um halo anelar, foi uma surpresa. Na cultura visual popular, um simples halo em forma de anel se tornou a representação mais comum de um halo pelo menos a partir do século XIX.

Importância espiritual no cristianismo

Os primeiros Padres da Igreja gastaram muita energia retórica em concepções de Deus como fonte de luz; entre outras coisas, isto se deu por que "nas controvérsias do século IV sobre a consubstancialidade do Pai e do Filho, a relação entre o raio de luz e a fonte de luz era o exemplo mais palpável da emanação e das formas distintas de uma substância comum" — conceitos básicos do pensamento teológico da época.

Na teologia da Igreja Ortodoxa, um ícone é uma "janela para o céu" através da qual Cristo e os santos no céu podem ser vistos e contatados. O fundo dourado do ícone indica justamente este céu. O halo é o símbolo da Luz Não-Criada (em grego: Ἄκτιστον Φῶς) ou da graça de Deus brilhando através dele. Pseudo-Dionísio, em sua "Hierarquias Celestes", fala de anjos e santos sendo iluminados pela graça de Deus e, por sua vez, iluminando outros.

Origem e utilização dos diversos termos

"Nimbus" significa "nuvem" em latim e é utilizado para denominar "um disco brilhante ou dourado circundado a cabeça". O plural é "nimbi". "Auréola", do latim para "dourado", é praticamente um sinônimo de halo e significa geralmente a coroa dourada reservada para os mártires. Já o termo "mandorla" significa inequivocamente um halo de corpo inteiro e não pode ser utilizado como sinônimo do disco circular à volta da cabeça. Porém, na arte cristã, o termo, que é a palavra italiana para "amêndoa" é geralmente reservado para o formato conhecido como vesica piscis. Na discussão sobre a arte asiática, o termo é utilizado de forma mais livre, abrangendo qualquer formato.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Pintura Românica


Pintura Românica






A pintura românica não teve um desenvolvimento súbito e revolucionário, tal como aconteceu na arquitectura românica. Ela seguiu a tradição pictural, sobretudo nas iluminuras de manuscritos (como o do Evageliário de Corbie) e praticou-se, sobretudo, em duas modalidades:

    Pintura de grandes dimensões, utilizada na decoração de interiores, principalmente nas igrejas;
    Pequena pintura, para ornamento e ilustração em livros: iluminuras.

Existiu nas seguintes formas:

    frescos (ou afrescos)
    retábulos
    mosaicos

A temática dominante é a religiosa, tal como na escultura. É a narração de feitos bíblicos e religiosos como a vida de Cristo. As técnicas formais e estilísticas empregues variam consoante as regiões. Isto deve-se ao ensino do artista nas escolas ou oficinas em que mestres de gerações diferentes ensinavam a arte.

A diversidade formal e técnica da pintura do românico é identificada por:

    a prevalência do desenho;
    a falta de rigor anatômico nas figuras, representadas com proporções disformes e deformadas com tendência para a geometrização dos corpos;
    as posições demasiado desarticuladas;
    as cores aplicadas a cheio, ou seja, planas e sem sombreados ou outros efeitos;
    os cenários são abstractos e sem grande importância e cuidado, normalmente são lisos ou inexistentes;
    as composições são geometricamente complexas e desorganizadas;
    as cenas dispostas da esquerda para a direita, de cima para baixo e ajustadas, por vezes separadas por frisos com motivos geométricos e naturalistas.





Estas características não conferem realismo, mas antes, um poder simbólico e sobrenatural.

Exemplos marcantes da pintura do românico são:

Pinturas e mosaicos de Pietro Cavallini, que prefigurou o naturalismo de Giotto. Ele atuou principalmente em Roma, e Giotto, no começo da carreira, teria ali conhecido seu trabalho. O estilo de Cavallini era influenciado pela arte romana clássica. Suas obras estão expostas nas igrejas de Basílica de Santa Maria em Trastevere e Santa Cecilia in Trastevere, em Roma.
   
Afrescos na igreja de Les Salles-Lavauguyon, em Haute-Vienne, na França, descobertos em 1986. Os afrescos fundem estilos celta e bizantino.
 O Evangeliário de Corbie
A Tapeçaria de Bayeux
As pinturas murais da abóbada de Saint-Savin-sur-Gartempe
O Evangeliário do abade Wedricus
O altar de Klosterneuburg, de Nicholas de Verdun
Os Carmina Burana

O período românico da arte foi o último antes do nascimento do período gótico.






PINTURA E MOSAICO

Na Idade Média, as várias atividades artísticas não eram consideradas independentes entre si. Pelo contrário, elas contribuíam para as realizações e decorações daquele que era a obra fundamental, a grande igreja com que a comunidade exaltava o verdadeiro Criador.

Numa época em que poucas pessoas sabiam ler, a Igreja recorria à pintura e à escultura para narrar histórias bíblicas ou comunicar valores religiosos aos fiéis. Não podemos estudá-las desassociadas da arquitetura.

Embora muitos edifícios fossem construídos aproveitando as propriedades decorativas da pedra ou dos tijolos, a decoração colorida, obtida com os afrescos ou então, com os mosaicos, era uma decoração que procurava efeitos impressivos, que amava as cores vivas e os desenhos fortemente caracterizados. Tais ornamentações, profusas sobre as paredes das igrejas, revestiam, por vezes, outras partes do edifício.

Por isso, a pintura românica desenvolveu-se sobretudo nas grandes decorações murais, através da técnica do afresco, que originalmente era uma técnica de pintar sobre a parede úmida.




Os motivos usados pelos pintores eram de natureza religiosa. As características essenciais da pintura românica foram a deformação e o colorismo. A deformação, na verdade, traduz os sentimentos religiosos e a interpretação mística que os artistas faziam da realidade. A figura de Cristo, por exemplo, é sempre maior do que as outras que o cercam. O colorismo realizou-se no emprego de cores chapadas, sem preocupação com meios tons ou jogos de luz e sombra, pois não havia a menor intenção de imitar a natureza.

A técnica da decoração com mosaico, isto é, pequeninas pedras, de vários formatos e cores, que colocadas lado a lado vão formando o desenho, conheceu seu auge na época do românico. Usado desde a Antiguidade, é originária do Oriente onde a técnica bizantina utilizava o azul e dourado, para representar o próprio céu.

Arte Românica


Arte Românica





Arte românica é o nome dado ao estilo artístico vigente na Europa entre os séculos XI e XIII, durante o período da história da arte comumente conhecido como "românico". O estilo é visto principalmente nas igrejas católicas construídas após a expansão do cristianismo pela Europa e foi o primeiro depois da queda do Império Romano a apresentar características comuns em várias regiões. Até então a arte tinha se fragmentado em vários estilos, sendo o românico o primeiro a trazer uma unidade nesse panorama.

O românico

A arte em si é mais antiga que o termo românico, empregado a partir da década de 1820 por Charles de Gerville e Le Prevost, e usado sistematicamente pelo arqueólogo Arcisse de Caumont, que conseguiu batizar com esse termos as construções hoje conhecidas como tais (embora ele tenha incluído também exemplares de períodos anteriores). A arte hoje dita românica foi redescoberta, visto que por um longo tempo foi desprezada, escondida debaixo de reformas e outros estilos, ou mesmo ignorada e destruída.




História

Depois de passar por muitas turbulências, desde o fim do Império Romano até o século XI, aproximadamente, a Europa medieval vive um momento de estabilidade e crescimento. O comércio volta a florescer e as cidades começam a prosperar, mesmo que timidamente.

Até então a arte era difusa e diferente entre os variados povos europeus. Isso mudaria com o "crescente entusiasmo religioso", cujas causas são, entre outros fatores, as peregrinações que cresceram e as Cruzadas para libertar a Terra Santa. Com todas essas mudanças é plausível o nome românico, visto que a Europa se romanizou como nunca desde o início da Idade Média. A única coisa que faltava, a autoridade política central, foi, até certo ponto, ocupada pelo Papa. Sem um poder nas mãos de um único rei, foi a Igreja que centralizou o controle sobre o pensamento e a vida da época e foi a primeira responsável pela unificação da Europa desde a queda do Império Romano.

Esse crescimento religioso se refletiu na construção de muitas igrejas. Nas palavras do monge Raoul Glaber, citado por Ramalho, "à medida que se aproximava o terceiro ano após o ano 1000, via-se em quase todo o universo, em particular na Itália e nas Gálias, a reconstrução das basílicas religiosas… Era como se o mundo sacudisse de si o pó do tempo, para despojar-se de sua vetustez, e quisesse se revestir, por toda a parte, de um manto branco de igrejas". Essas igrejas foram mais numerosas e maiores que todas as outras precedentes, o que explica em parte o entusiasmo de Glaber.




Características

Há diferenças entre a arte executada nas diversas regiões europeias, de acordo com as influências regionais recebidas, mas há também uma série de características comuns, que definem o estilo românico.

As igrejas são as maiores até então, e para que isso seja possível houve uma evolução dos métodos construtivos e dos materiais. A pedra foi empregada na construção e o telhado de madeira foi trocado por abóbadas de berço e de aresta, mais condizentes com uma igreja que representa a fortaleza de Deus.

Ao contrário da arte paleocristã, as igrejas são ricamente decoradas externamente. A escultura em pedra em grande escala renasce pela primeira vez desde os romanos, atrelada à arquitetura, assim como a pintura. A escultura e a pintura são carregadas de esquematização e simbolismo, típico de um período em que o artista aprende a representar o que sente, e não somente o que vê.

Pedra-construções sólidas, paredes grossas, com contrafortes ao estilo de fortificações com recurso a ameias; Fachadas lisas e simples, poucas janelas; Interiores escuros, sombrios e simples; Uso de arcos redondos ou abóbadas perfeitas (também designadas abóbadas de berço) Uso da cruz latina como planta, geralmente com três naves (central e duas laterais mais escritas).

Igreja de peregrinação

As igrejas de peregrinação foram muito características desse período. Elas ficavam no caminho para os locais sagrados, como Santiago de Compostela, Roma e Jerusalém, e serviam de apoio e pouso para os peregrinos, além de oferecer como atrativo as relíquias, objetos supostamente pertencentes a Jesus Cristo, a Maria e aos santos, como os cravos que pregaram as mãos e pés de Jesus, ou os espinhos da coroa, ou ainda fios de cabelo da Virgem.

Essas igrejas seguiam a planta em forma de cruz latina, com várias naves , geralmente 3 ou 5, em que as naves laterais se prolongavam e passavam por detrás da ábside, formando o deambulatório. Do deambulatório saiam as capelas radiantes, ou absidíolas. Esse conjunto era característico das igrejas de peregrinação e ficou conhecido como cabeceira de peregrinação. Entre as igrejas desse tipo estão as de Saint-Sernin de Toulouse, Santiago de Compostela, Santa Madalena de Vézelay e Igreja de Saint-Martin de Tours.

Os mosteiros

Os mosteiros foram importantes para o estabelecimento da arquitetura românica, principalmente os das ordens de Cluny e Cister. Desse conjunto característico, a dependência a se destacar é o claustro, por vincular o mosteiro ao templo e por ser a dependência mais bem cuidada do ponto de vista artístico. Geralmente possuem quatro lados, com tendência a formar quadrados perfeitos e quatro corredores resultantes em pórticos abertos com arcadas sustentadas por colunas.

Arquitetura

A arquitetura em pedra vem reforçar a característica de monumentalidade e fortaleza, possível depois de toda a evolução dos meios construtivos. Os conjuntos arquitectónicos seguem, geralmente, a planta basilical, uma, três ou cinco naves (geralmente três), colunas que sustentavam as abóbadas e um aspecto maciço e horizontal (mesmo que muitas das igrejas sejam bem altas). As paredes são cegas, pois não é possível, ou é muito difícil, abrir grandes janelas nas paredes, já que elas servem como estrutura e suportam todo o teto. Haverá grande decoração, externa e internamente, através de esculturas nos tímpanos nas portas de entrada e nos capitéis e colunas, e pintura parietal nas ábsides e abóbadas das naves.

Escultura

A escultura renasceu no românico, depois de muitos anos esquecida. Seu apogeu se dá no século XV, quando inicia um estilo realista, mas simbólico, que antecipa o estilo gótico. A escultura é sempre condicionada à arquitetura e todo trabalho é executado sem deixar espaços sem uso. As figuras entalhadas têm o tamanho do elemento onde foram esculpidas, e os trabalhos de superfície acomodam-se no lugar em que ocupam. Dessa característica parte também a ideia de esquematização.

Outra importante característica é seu caráter simbólico e antinaturalista. Não havia a preocupação com a representação fiel dos seres e objetos. Volume, cor, efeito de luz e sombra, tudo era confuso e simbólico, representando muitas vezes coisas não terrenas, mas sim provenientes da imaginação. Mas não que isso seja uma constante em todo o período. Em algumas esculturas, nota-se a aparência clássica, influência da Antiguidade, como no Apóstolo, de Saint-Sernin de Toulouse. A principal característica da escultura românica eram as cores fortes e vivas.

Pintura

A pintura não se destacou tanto quanto a arquitetura nesse período. Os principais trabalhos são a pintura mural, as iluminuras e as tapeçarias. A pintura parietal, ou seja, executada nas paredes, era dependente da arquitetura, como pode-se deduzir, tendo aquela somente função didática. Em um período em que a grande maioria da população era analfabeta, a pintura era uma forma de transmitir os ensinamentos do cristianismo.