segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Pintura Românica


Pintura Românica






A pintura românica não teve um desenvolvimento súbito e revolucionário, tal como aconteceu na arquitectura românica. Ela seguiu a tradição pictural, sobretudo nas iluminuras de manuscritos (como o do Evageliário de Corbie) e praticou-se, sobretudo, em duas modalidades:

    Pintura de grandes dimensões, utilizada na decoração de interiores, principalmente nas igrejas;
    Pequena pintura, para ornamento e ilustração em livros: iluminuras.

Existiu nas seguintes formas:

    frescos (ou afrescos)
    retábulos
    mosaicos

A temática dominante é a religiosa, tal como na escultura. É a narração de feitos bíblicos e religiosos como a vida de Cristo. As técnicas formais e estilísticas empregues variam consoante as regiões. Isto deve-se ao ensino do artista nas escolas ou oficinas em que mestres de gerações diferentes ensinavam a arte.

A diversidade formal e técnica da pintura do românico é identificada por:

    a prevalência do desenho;
    a falta de rigor anatômico nas figuras, representadas com proporções disformes e deformadas com tendência para a geometrização dos corpos;
    as posições demasiado desarticuladas;
    as cores aplicadas a cheio, ou seja, planas e sem sombreados ou outros efeitos;
    os cenários são abstractos e sem grande importância e cuidado, normalmente são lisos ou inexistentes;
    as composições são geometricamente complexas e desorganizadas;
    as cenas dispostas da esquerda para a direita, de cima para baixo e ajustadas, por vezes separadas por frisos com motivos geométricos e naturalistas.





Estas características não conferem realismo, mas antes, um poder simbólico e sobrenatural.

Exemplos marcantes da pintura do românico são:

Pinturas e mosaicos de Pietro Cavallini, que prefigurou o naturalismo de Giotto. Ele atuou principalmente em Roma, e Giotto, no começo da carreira, teria ali conhecido seu trabalho. O estilo de Cavallini era influenciado pela arte romana clássica. Suas obras estão expostas nas igrejas de Basílica de Santa Maria em Trastevere e Santa Cecilia in Trastevere, em Roma.
   
Afrescos na igreja de Les Salles-Lavauguyon, em Haute-Vienne, na França, descobertos em 1986. Os afrescos fundem estilos celta e bizantino.
 O Evangeliário de Corbie
A Tapeçaria de Bayeux
As pinturas murais da abóbada de Saint-Savin-sur-Gartempe
O Evangeliário do abade Wedricus
O altar de Klosterneuburg, de Nicholas de Verdun
Os Carmina Burana

O período românico da arte foi o último antes do nascimento do período gótico.






PINTURA E MOSAICO

Na Idade Média, as várias atividades artísticas não eram consideradas independentes entre si. Pelo contrário, elas contribuíam para as realizações e decorações daquele que era a obra fundamental, a grande igreja com que a comunidade exaltava o verdadeiro Criador.

Numa época em que poucas pessoas sabiam ler, a Igreja recorria à pintura e à escultura para narrar histórias bíblicas ou comunicar valores religiosos aos fiéis. Não podemos estudá-las desassociadas da arquitetura.

Embora muitos edifícios fossem construídos aproveitando as propriedades decorativas da pedra ou dos tijolos, a decoração colorida, obtida com os afrescos ou então, com os mosaicos, era uma decoração que procurava efeitos impressivos, que amava as cores vivas e os desenhos fortemente caracterizados. Tais ornamentações, profusas sobre as paredes das igrejas, revestiam, por vezes, outras partes do edifício.

Por isso, a pintura românica desenvolveu-se sobretudo nas grandes decorações murais, através da técnica do afresco, que originalmente era uma técnica de pintar sobre a parede úmida.




Os motivos usados pelos pintores eram de natureza religiosa. As características essenciais da pintura românica foram a deformação e o colorismo. A deformação, na verdade, traduz os sentimentos religiosos e a interpretação mística que os artistas faziam da realidade. A figura de Cristo, por exemplo, é sempre maior do que as outras que o cercam. O colorismo realizou-se no emprego de cores chapadas, sem preocupação com meios tons ou jogos de luz e sombra, pois não havia a menor intenção de imitar a natureza.

A técnica da decoração com mosaico, isto é, pequeninas pedras, de vários formatos e cores, que colocadas lado a lado vão formando o desenho, conheceu seu auge na época do românico. Usado desde a Antiguidade, é originária do Oriente onde a técnica bizantina utilizava o azul e dourado, para representar o próprio céu.

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