sábado, 24 de setembro de 2016

A Quarta Semana nos EE - II


APARIÇÕES DO RESSUSCITADO


1. A iniciativa é do Senhor. É Ele que vem.
                                                                            
É Jesus que aparece e, ao exercer o “ofício de consolador” (EE. 224), vai vencendo as resistências, temores, dúvidas... dos discípulos. Todos eles passaram por uma crise profunda (grande desolação e tristeza). É nesta situação que Jesus se revela e os discípulos experimentam de maneira mais patente a força da Ressurreição.
Jesus leva-os a compreender o sentido da morte; tudo tem sentido, tudo é plenificado. Lentamente vai se  realizando uma Ressurreição no coração de cada um deles.

2. Jesus escolhe seus amigos como testemunhas da Ressurreição.
                                                                                               
É a fidelidade de Jesus a seus amigos. Aqueles(as) que se encontram com Jesus ressuscitado pertencem todos a seu círculo. De alguma maneira esta experiência implica o discipulado, o seguimento.
Ser testemunha: não é só aquele que viu alguma coisa e que dá fé que viu, mas é aquele que se empe-
                            nha pessoalmente por aquilo que viu e compreendeu.
Testemunhas de quê? O testemunho dos discípulos refere-se à pessoa de Jesus (sua vida, prática...)
                                      antes de serem testemunhas de um projeto, de uma idéia, de algo a construir.
                                      Para testemunhar é preciso antes ter convivido com Jesus.

3. Modo da aparição
                                
Nada de apocalíptico ou extraordinário. Jesus revela-se na vida de cada um; entra na história de cada um e vai transformando-a.
Revela-se a cada um segundo o que cada um é: diálogo com Maria Madalena, discípulos de Emaús...
Ele está “no meio deles”.

4. É esta a presença de Cristo em nós, na nossa história pessoal.
                                                                                                                     
É Ele que vivifica, trans-forma e dá sentido à nossa vida; comunica-nos seu Espírito que nos leva à prática do amor e do compromisso. A Ressurreição é horizonte que plenifica nosso cotidiano, os pequenos atos e gestos...

O Ressuscitado é o “centro” da experiência dos Exercícios.
Esta presença só pode ser compreendida, experimentada e vivida a partir da :
                       * que nos faz reconhecer Sua presença nova na ausência física.
                       * que nos faz compreender plenamente que Cristo e sua Missão é uma mesma reali-
                               dade que se faz presente no mais profundo de nós mesmos e nos compromete
                               num novo estilo de vida.

Trata-se de uma Presença que ultrapassa o espaço e o tempo.
- Presença que se faz próxima de todo e qualquer ser humano.
- Presença que nos faz ser uma presença transformante.
- Presença que se faz atuante onde se vive as atitudes do mesmo Jesus.
- Presença viva naquele que Ele envia como seu representante.

Presença que se manifesta em 3 níveis:

a) Pessoal: Jesus sai ao encontro da história pessoal de cada um, para iluminá-lo, interpelá-lo, transformá-lo;
                    : invade todo nosso ser e todo nosso futuro (nossos projetos, sonhos...);
                    : torna-se interior àqueles que n’Ele crêem (“Cristo vive em nós e nós no Espírito” ).

b) Comunitário: Cristo é gerador e centro da comunidade de “irmãos” (Igreja);
                               : é Ele que leva a termo a obra que começou: reunir os filhos de Israel dispersos...
                               : cria um grupo com um estilo de vida diferente: comunhão de bens, de oração, doutrina...

c) Cósmico: a Ressurreição não é um fato isolado; todos estão implicados;
                       : o mundo se faz transparência de Deus; Cristo recapitulou todo o mundo n’Ele;
                       : n’Ele tudo tem sua consistência;
                       : já não há judeu, pagão, homem, mulher... senão Cristo em tudo;

                       : onde há transformação, luta, serviço... aí há Ressurreição;  

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